Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

domingo, 28 de agosto de 2011

A VIDA FLUI...



A VIDA FLUI...
               Assisti a um filme chamado "Simplesmente Complicado" e, ao final, a mensagem foi, não vale a pena viver no passado, pois a Vida Flui... Ela segue o seu curso como o mar, como o rio para chegar ao mar, misturar-se ao oceano....
                Como já dizia Heráclito:"o homem não banha no mesmo rio duas vezes, porque nem ele é o mesmo e nem a água o é". Este movimento dialético que animou tantos pensadores, dentre eles Karl Marx, que ressaltou  os quatro princípios fundamentais da dialética: "tudo está interrelacionado; tudo se transforma; a transformação é qualitativa e a luta dos contrários".
                Uma bióloga, geneticista maravilhosa, disse que os mistérios sobre o retardar o envelhecimento já havia sido descoberto, mas que junto com a descoberta, vinham várias doenças, porque, a célula foi feita para morrer, ou seja, não nascemos, realmente, para a imortalidade neste plano...
                E, com estes três pensamentos acima, sobre o filme, os pensadores e a fala da geneticista precebe-se que o fluxo da vida é, como todos sabem, certo, pois a Vida flui sempre, contudo, ao nascermos e entrarmos no barco, vamos guiando o fluxo ou apressando ou retardando - o, cientes de que jamais será evitado, ou negando oportunidades maravilhosas de parar e aproveitar momentos únicos, ou ainda,  escolher sermos felizes, mesmo que apenas por instantes, ou ainda por toda a vida, com tudo o que ela trás...
                Ter consciência destas teorias da dialética, do movimento, dos aprendizados que negam ou questionam as "verdades de outrora" que passam a ser outras a cada momento, num movimento maravilhosos de continuidade e mudança, isto é fato. Contudo, por que mesmo sabendo disso nos prendemos a passados, sejam fatos, momentos, amores, vivênci
as, emoções que, por vezes, são prejudiciais ao momento atual, por nos prender no meio do rio com âncoras do passado que nos impedem de continuarmos a fluir, ir com as águas do rio? E, nesta escolha, vamos ficando presos no mesmo lugar de memórias, apenas vendo  novas águas passarem e tocarem o casco do barco, mas não nos permitimos sequer ver como são, o que trazem, ou colocarmos o pé na água... As seguranças... As certezas que construimos, e que podem ser desconstruidas e reconstruidas, ou não construidas, mas substituidas por outras conforme o contexto que se está vivenciando neste momento...
                  Escolhas? Escolher ser feliz ou maturar tristeza... Será isto uma escolha? Romper estes grilhões que formam a corrente que segura a âncora e deixar o barco continuar o seu curso é uma atitude corajosa que todos podemos ter, conforme o estimulo que temos com relação ao que, realmente, queremos, ao que vemos enquanto Vida, Viver, Felicidade, Amor, Acolhida, Superação, Vitoria e Conquista!!
                  Assim, temos que pensar sempre na nossa vida, no que estamos fazendo, nas implicações e consequências, no que queremos de verdade ser, fazer e darmos o primeiro passo para que estes sonhos se materializem, pois como diz na Bíblia:"tudo é possivel ao que crê". Ao que acrescento, tudo é possivel ao que crê e faz algo para materializar o sonho, vai a luta e não cruza os braços, mas constrói e se alegra com as escolhas. Mesmo as tristes, pois estas trouxeram novos aprendizados..
                  Vivermos como eternos aprendizes, reconhecendo a imprevisibilidade da vida!! Simplesmente complicada, mas magnífica!!! Dificil, mas jamais impossível!!
                     PAZ  E BEM!
                     (Marcia Adriana Lima de Oliveira)


sábado, 13 de agosto de 2011

O que é ser pai e / ou mãe?

         

            No universo sociológico ser pai e/ou mãe são status, ou seja, posições que você ocupa como membro de um dado grupo social, neste caso, o grupo social família. Tem-se família aqui como "laços de descendência por consanguinidade ou por afinidade" (OLIVEIRA, 2003; DURHAM ,1983; ABREU, 1982; ...), ou seja, não importa se seja ou não descendentes biológicos, podem ser adotivos, ou adotados por afinidade, todos são família.
           E, quando pensamos em pai/ mãe, geralmente, associamos estas posições as pessoas que os ocupam, ou seja, os genitores, os seres biológicos que com a ajuda de seu óvulo ou espermatozóide contribuiu para que as crianças viessem a este mundo. Contudo, cada posição possui um papel social, ou seja "um conjunto de expectativas acerca do que o indivíduo que ocupa a posição deve fazer". Logo, ao ocupar a posição de pai, o que é experado que quem a ocupe faça? E da de mãe? O que uma mãe deve fazer?
             Assim, pai, mãe e filhos são posições que vão sendo preenchidas conforme a cultura, ou seja, valores, crenças acerca do que cada pessoa ao ocupá-las fará... Porém, em decorrência da diversidade cultural, do fato de sermos mais que sujeitos sociais, mas sim indivíduos, com vivências, experiências, subjetividades... Cada um de nós irá dar o seu toque a interpretação aos papéis, acrescentando falas e outras expectativas que antes, não existiam, ampliando o papel.
                E, nestas ampliações do papel social correspondente ao ser pai ou mãe, tem-se que qualquer pessoa independente do sexo, pode na família, ora ocupar a posição do pai (prover, dar segurança, proteger), ora a da mãe (acolher, cuidar, proteger, dar as direções, ...) ou a do (a) filho (a) ( quer carinho, proteção, cuidados).
                Logo, pode-se dizer que na família estamos constantemente dialogando com as várias posições (mãe/ pai/ filho (a)). E, ao ocupá-las os papeis corresponentes devem ser desempenhados a contento. E, neste momento, percebe-se como é difícil ser pai, ser mãe e ser filho (a), envolto em "n" expectativas, acerca do que se deve fazer, do como se portar, ... Uma sobrecarga, as vezes enorme, principalmente para quem é mãe solteira ou pai solteiro (entenda-se que aqui entram todos aqueles que cuidam dos filhos, independente de serem estes pais biológicos ou adotivos ).
                  Deseja-se o melhor para o (a) filho (a), mas deve-se aprender a ouvi-los acerca deste melhor... Dialogar, conversar, observar, participar da vida, enfim, quantos ensinamentos e aprendizagens... E, na escola, observar o crescimento, as dificuldades, tentar sanar as dificuldades, intervir, conversar... Professoras que são apenas professoras co-repetidoras e não educadoras, que ao serem interpeladas acerca do que fazer para melhorar o aprendizado, sentem-se acuadas e terminam "marcando" os (as) filhos (as) que estão em processo de formação (Ensino Fundamental) e veem -se diante de um obstaculo que é maior que o físico, mas é psiquico, o readquirir a auto-estima, sentir-se capaz de realizar a atividade, convivendo com este tipo de exemplo de professor, que ao meu ver, deveria desistir da docencia, pois, realmente, não acrescenta e nem faz jus a profissão... E, nós pais, apreensivos, com uma sobrecarga de status (temos trabalho, casa, escola, filhos,....) aumenta a ansiedade, a preocupação, o nervosismo, que acaba mais dificultando que ajudando...
                       Rever posturas, valores, atitudes, enfim, rever a própria vida, é uma grande grande arte. A arte da humildade, frente ao fato de que ninguém nasce pai ou mãe, ou até mesmo filho (a), vamos aprendendo a ser num continuo processo do aprender, a cada etapa da vida.
                         E o que me encanta mais, apesar das angústias neste processo é o olhar para um ser, pequeno, mas grande, aparentemente fragil, mas que é forte, e, vê-lo se aproximando, abrir um sorriso e dizer com todas as letras: "Mãe, eu te amo, vamos conseguir vencer juntos!!" É isso aí!! Vencer juntos sempre!! Aprender, crescer, amadurecer, sofrer, ser feliz, conquistar, vencer!!! Altos e baixos que chegam para sacudir a vida e nos fazer redimensionar quem somos, o que somos, o que queremos ser, e como faremos para chegar lá!! Eu quero ser uma maravilhosa mãe e dar ao meu filho, como venho dando o meu melhor para que ele cresça!! É fácil? Como disse anteriormente, não é, mas vale a pena, pois, ser Pai / Mãe é, antes de tudo, doação, responsabilidade, ser duro quando é preciso, ser molinho nos momentos certos, sermos humanos, mostrarmos que somos seres que erramos e que acertamos, mas que ao errarmos reconhecemos nossos erros, nos desculpamos e modificamos, e amamos muito incondicionalmente a pessoa que nos proporciona ocuparmos esta posição privilegiada de Pai/ Mãe que são os (as) filhos (as).
Feliz dia dos PAIS!! DAS MÃES - PAIS!!! DOS AVÔS/ TIOS- AMIGOS PAIS!!!
                                                                                                           (Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Referência
OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de. Separações e Divórcios: elementos que fazem parte da dinâmica familiar ou elementos de desestruturação desta? In: Revista CEUT, v.3, nº3. Teresina-Pi: CEUT, 2003




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Minhas Reflexões sobre a letra Sonho Impossível de Chico Buarque e Ruy Guerra, intepretada por Maria Bethania



"Sonhar, mais um sonho impossível", quando o impossível talvez seja o que não conhecemos, não desejamos, não queremos...
"Lutar quando é fácil ceder", em meio a tantas facilidades, tantas oportunidades e possibilidades de escolhas, manter-se firme no ideal construido e acreditado é muito difícil....Mas possível, para quem acredita mesmo no que quer e luta dignamente em prol desta conquista, luta por melhor estudo, melhor trabalho, melhor habitação, melhor transporte, melhor qualidade de vida, melhor vida, melhor direito a ter uma família, a ter filhos, a ter amor, alegria, a voz, a vez, luta por si, pelo outro, outros, mundo, cosmo...Luta pelo que acredita...
" Vencer o inimigo invencivel", inimigo, que na verdade jamais é o outro, mas somos nós mesmos... Ninguém é mais prejudicial a nós do que os nossos pensamentos, do que os momentos em que nos deixamos levar pelo medo, pelas más impressões, pelos equívocos da vida, sem ter a coragem de esclarecer, de explicar, conversar,... Vencer o medo, superar as barreiras criadas na nossa mente e dizer: Eu posso, Eu consigo, Eu vou VENCER, E CRÊ!!  MARAVILHA!!!! VENCI!!
Negar quando a regra é vender". Em meio a uma sociedade do consumidor/ do consumo, do descartavel, da superficialidade que impede a intimidade, o envolvimento, o relacionamento, a valorização do individualismo e não individualidade, enfim,... Quando se crê, acredita-se que em meio a compra e venda, os sonhos não se vendem, os sonhos são bens raros e preciosos que nos ajudam a ter estimulo, objetivos, traçar metas, visualizar o futuro, sem perder de vista o agora, e, principalmente, valorizar a vida!! Nada disso é vendável!! E, quando aprendemos isto, aprendemos que para viver não precisamos de muito, materialmente falando. Precisamos sim, da nossa integridade, honra, dignidade, valores, amizade, família, amor pelo que se faz sempre!!
"É minha lei, é minha questão!! Virar esse mundo, cravar esse chão/ Não importa saber, se é terrível demais/ Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz/ E amanhã se esse chão que eu beijei/ For meu leito e perdão/ Por saber que valeu, delirar e morrer de paixão/ E. assim, seja lá como for/ vai ter fim/ a infinita paixão/ E o mundo... Vai ver uma flor, brotar do impossível CHÃO". E, assim, tem-se que nesta luta pelo direito a vida, a liberdade, enquanto consciência do assumir responsabilidades pelas escolhas feitas, do buscar viver sempre com dignidade, respeito incondicional a si, ao outro, ao mundo. O que é impossível, vai se tornando possível, o que era sonho vai se tornando realidade, dando lugar neste chão da aridez humana a flor, ao amor, a felicidade do sonho realizado para que novos sonhos surjam, brotem, floresçam a partir dO TOQUE SUAVE DE UM ABRAÇO GOSTOSO que indica que estamos VIVOS!!! (Letra: Chico Buarque e Ruy Guerra/ reflexões sobre a letra de Marcia Adriana Lima de Oliveira)