Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

sábado, 15 de março de 2014

Múltiplos Olhares (Marcia Adriana (Eu))


As vezes olhamos para a direita, 
outras para a esquerda,
outras ainda para a frente, mas o que vemos?
Fragmentos de uma realidade,
Paisagem retratada como verdade,
Olhares múltiplos, 
Múltiplos olhares de uma mesma realidade...
Cada um com suas certezas,
Cada um com suas dúvidas, 
Cada um com suas divagações...
Mas, e a vida?
E o que seria da vida, do viver sem todas estas dimensões?
Com cada uma aprendemos
Com cada uma revemos
Com cada uma desconstruimos e reconstruimos
ou não nossas certezas que tinhamos nas mãos...
E, GRAÇAS!!! Temos a possibilidade de recomeçar, 
de começar, de sorrir, de chorar, de sorrir de novo,
amando, se apaixonando e tornando-se apaixonante e apaixonada
Por outrem?! Talvez...
Mas, o certo e gostoso é quando nos amamos, e reconhecemos
que simplesmente SOMOS!!
Simplesmente Existimos
simplesmente pensamos
simplesmente não pensamos 
SENTIMOS
Racionalizamos...
Amamos...
Sim, amamos....
crescemos
aprendemos...
aprendemos a aprender...
aprendemos a sonhar..
aprendemos a ser sérios, risonhos, 
e vamos entre um aprendizado e outro...
vivendo
VIVENDO
VIIII VEENNN DOO
Vendo que a maravilha do viver
é descobri que todos os dias
simplesmente
podemos 
APRENDER... A SER..
Foto: Marcia Adriana


Foto: Marcia Adriana


Foto: Marcia Adriana

sábado, 8 de março de 2014

DIA 08 DE MARÇO: PAUSA PARA REFLEXÃO SOBRE O NOSSO DIA, OU SEJA, O DIA DE NÓS MULHERES! ( por Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Marcia Adriana L. de Oliveira
Foto: Marcia Adriana Lima de Oliveira
      No Brasil o processo de colonização trouxe o sistema colonial em que na família predominava o pater poder. Neste, o poder era do homem, do pai e todas as demais pessoas não existiam como pessoas, mas como seres vivos que estavam para servir o Senhor de Engenho (OLIVEIRA, 2012). A mulher neste contexto como era tratada?
        Bem, a mulher era tratada como propriedade do marido e, neste contexto a Hierarquia de gêneros prevalecia, apesar da divisão de trabalho por gênero que dava a mulher direitos no âmbito doméstico, desde que estes estivessem de acordo com os desejos do Senhor, e a este era destinado o espaço da rua (OLIVEIRA, 2012).
         E, quando começamos a perceber mudanças? Elas surgem no momento em que as mulheres começam a trabalhar fora de casa, no âmbito da rua, começaram a estudar fora, em outros países em que as reflexões sobre a ruptura desta hierarquia de gêneros já estava em encaminhamento (OLIVEIRA, 2012).
          Além do trabalho, também a separação judicial (antigo desquite) vem para propiciar a mulher a necessidade do trabalho para o sustento da casa, dos filhos, mas, tudo isto começa a causar transformações no olhar da mulher sobre ela mesma; pois, com estudo, trabalho, assumindo os status (posições) ora de pai, ora de mãe, ora de filha, mantendo vivo a família, esta mulher começa a sonhar, e a tornar-se empreendedora também, ganhando a cada dia mais e mais espaço no mercado de trabalho.
                Com a Separação Judicial, década de 60 e o divórcio na década de 70/80 (Lei nº 6.515/77/78) é legalizado a posição ou o status da Mãe como "dona de casa (cuidadora)" e "chefe da família (provedora)" adquirindo mais e mais independência financeira e autonomia nas suas decisões, principalmente, acerca do que esta mulher deseja, quer.
                Mas, sendo mãe, em uma separação, até que o filho tenha entendimento e compreensão sobre relacionamento, a mãe, mulher dedica-se ao filho e pode ficar mais de 11, 12 anos sem absolutamente, qualquer relação com outra pessoa, desmentindo a fala de que "mulheres separadas eram mais vulneráveis e propensas  a estarem com alguém". Bem, mais do que a mulher, quando há filhos, a proteção ao filho e o bem estar bem deste falam mais alto para algumas mulheres que passam a se dedicar ao trabalho, a casa, a família e o pensar em outro alguém para dividir, partilhar suas vidas vai ficando bem distante, outras casam-se novamente, ou começam novos relacionamentos, não conseguem ficar sozinhas, consigo... Mas, as que conseguem sabem que a sua própria companhia é maravilhosa, e passam a aproveitar o tempo consigo, com seus filhos, com sua família, amigos, trabalho, descobre que a vida não é o outro, mas que já é viva e está viva, e se, houver novo encontro, pensa no filho, depois em si. Mas, dando certo, o outro não será o centro, mas um outro ser com quem irá partilhar, compartilhar as vivências, experiências até aqui.
                     E, em meio a estas descobertas de uma mulher, mãe, independente, tem também uma  grande parcela da população que passa a morar sozinha, o Direito sente a necessidade de ampliar o conceito de famíla para "laços de descendência por consaguinidade ou afinidade, qualquer um dos pares e seus descendentes, e, a partir da Constituição de 1988, no Brasil, com a mudança do conceito de família, tem-se a mudança nas relações de gênero, em que a partir daquele momento "homens e mulheres passam a ter os mesmos direitos e deveres tanto dentro quanto fora do âmbito doméstico (OLIVEIRA, 2012).
                         Neste sentido, a mulher vai, então tornando-se cidadã, e como cidadã não quer um relacionamento de superioridade ou inferioridade com o Homem, mas uma fala entre iguais, enquanto cidadãos de direitos e deveres iguais, respeitando, claro, as diferenças maravilhosas que existem entre si (OLIVEIRA, 2012).
                               Assim sendo, a mulher, nós mulheres demoramos tanto para chegarmos no momento em que se está atualmente, que não cabe mais o dançar músicas que tenham letras preconceituosas, desrespeitosas quanto ao que somos, Mulher. Faz-se necessário, rompermos a hierarquia de gênero em todos os sentidos e não estimulá-la com tantos preconceitos. Faz-se necessário compreender que depois de tanto tempo sem a fala, sem a ação, sem o saber fazer e o saber saber, não somos melhores ou piores que os homens. Somos apenas diferentes, biologicamente falando (Graças por isto!!). Mas, somos iguais em capacidade de trabalho, de aprendizagem, de liderança, de dialogarmos com ternura e seriedade, com carinho e justiça, com amor e dignidade, e tudo isto, tanto o homem, como nós mulheres somos em primeira instância Seres Vivos, depois Humanos, e Mulheres e Homens incrivelmente abençoados que devemos aprender a dialogar, trocar ideias, partilhar emoções, sentimentos, sensações com tranquilidade e respeito um com o outro (OLIVEIRA, 2012).
                                Por isto, neste dia, não se pense apenas nas mulheres nas fábricas que lutaram por horas de trabalho mais justas, pelo justo trabalho e outros direitos, mas pensemos em não invertermos a hierarquia de gêneros para um ditadura das mulheres... Assim, nada mudaria... inverteriam-se os papéis,  mas os desrespeitos continuariam a existir. Por isto, atenção, não se quer inimigos, mas parceiros, amigos, companheiros, um ser humano que apenas queira, deseje partilhar de suas vivências com tranquilidade, equilibrio, carinho, respeito, dignidade.
                                     E, por fim, dizer neste final que, como mulher que sou, é maravilhoso ver as conquistas, mas, é mais maravilhoso saber transformá-las em pontos de crescimento mutuo na relação e dialogo entre nós, mulheres e os homens. PARABÉNS A TODAS E TODOS!!!!!

REFERÊNCIA

OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de . Reflexões sobre a Sociologia Aplicada a Educação. Teresina: UAB/ FUESPI/ NEAD, 2012, pp. 74-110

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