Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

domingo, 21 de setembro de 2014

Foto: Arcevo pessoal em Manali

ÍNDIA OU ÍNDIAS? RELATOS DO VIVIDO


Marcia Adriana L. de Oliveira


“O olho vê,
a memória revê,
mas é a imaginação
que transfigura o mundo”
 (Manoel de Barros)


1.INTRODUÇÃO
Este texto emergiu de uma proposta apresentada aos Professores de História da escola de meu filho, no intuito de contribuir para um outro olhar sobre a Índia, a partir de relatos do Vivido, como será abordado com mais detalhes na seção 2 da mesma.
Percebe-se que todos os livros de História, Sociologia, Antropologia, Psicologia, e outras áreas afins, ao mencionarem a Índia reportam-se a dimensão religiosa, a Organização social fundamentada na Religião, ao processo de colonização e as mudanças que o mesmo proporcionou na dimensão política indiana. Contudo, as fotos que chamam atenção para este país são relacionadas ao extraordinário para a nossa cultura, que é o comum na deles como o encantador de serpentes, o banho e uso múltiplos de feitos no Rio Ganges, considerado um Rio Sagrado, dentre outras cidades transformadas em Patrimônio Histórico.
Assim, esta proposta surgiu de uma vivência na Índia há doze anos, tendo a consciência de que pelo tempo transcorrido muitas alterações devem e foram feitas, que talvez lugares visitados nem existam mais. Porém, o que vi foi uma índia rica, exuberante quanto a arquitetura, aos detalhes nas esculturas, e nas construções, como bordados em madeira. Ruas bem ocidentais com toda uma infraestrutura e uma multiplicidade de pessoas de castas diferentes que permeiam e circulam nestes espaços, ora tranquilos, ora caóticos.
A Universidade de arquitetura simples, mas antiga quanto a dimensão tempo, trás as novidades informacionais, transformadas em conhecimento pela tecnologia utilizada, um encontro entre as novidades, inovações e o passado, que surge nos repousos após o almoço embaixo das árvores do Campus Universitário de Delhi.
Logo, proponho esta partilha para que vejam um pouco da Índia que vivenciei. Esclareço que não é nostalgia ou saudosismo, mas, apenas o registro para que não se perca de outro olhar do lugar em que meu filho foi gerado, e, assim sendo, faz parte da história dele, mesmo abrindo o caminho para que outro possa fazer parte de nossa história, da minha história, enquanto futuro companheiro, mas que chegue sem ciúmes do que um dia fez parte de nossa vida e nos deu um presente lindo que é meu filho.
 E, agora, peço permissão para me colocar na primeira pessoa, pois, como relatos do vivido, não posso escrever sem me mostrar. Logo, convido todos vocês leitores para este caminhar comigo, cujo objetivo maior aqui é ampliar os olhares sobre uma cultura, repletas de culturas, e nestas, vários contrastes, que ora se chocam, ora se complementam como é a Indiana. E, que será construído, digo este caminhar, com base em alguns pontos do livro de História de Cláudio Vicentino (2013), que é o utilizado na série do meu filho, e que despertou em mim, agora que ele está estudando pela primeira vez sobre a Índia, o desejo de ir além das imagens que vi. Contribuindo para ajuda-lo e ajudar os colegas dele a compreenderem mais deste universo bem diferente de onde ele veio. Assim, vamos ao próximo item.

2.ÍNDIA OU ÍNDIAS? RELATOS DO VIVIDO.

Bem, Cláudio Vicentino (2013) coloca na página 258, no subitem: A força da Religião que dentre as divindades do “Bramanismo estão Brahma (Deus); Vishnu, deus da conservação e Shiva, deus da destruição.” Mas, na Índia, Shiva é muito respeitado e adorado, porque para eles ele é o deus que retira a maldade do mundo.
Shiva anda pelo mundo, pelos quatro cantos do mundo retirando dele toda a maldade e mantendo o equilíbrio, a paz e a harmonia. Veja na foto o pescoço e nele uma cobra. Esta simboliza o mal do mundo, e o pescoço azul é o veneno da cobra que já foi neutralizado no corpo de Shiva, impedindo que o mal permeie o mundo (Veja na foto abaixo).
Foto: Domínio Público

      Sobre o Hinduísmo tem uma lenda que diz que: quando Deus criou o mundo e o homem, Ele deu 25 anos da vida Dêle para o homem. Neste período, o homem fez tudo o que queria fazer, sem ninguém dizer nada. Ele podia fazer tudo (Este foi o período da Infância). Depois, o homem aos 25 anos disse a Deus:_ “Dá –me mais 25 anos, por favor... Eu não fiz nada ainda...” . Neste momento um burro ia passando e ouvindo disse:_”Não se preocupe Deus, eu dou 25 anos de minha vida para ele.” Então, o homem passou este tempo trabalhando de domingo a domingo (É quando o homem casa e começa a trabalhar, mas não deixa de ser visto como criança para os pais). Então, chegou aos 50 anos de idade e o homem disse:_”Meu Deus, por favor, dá-me mais 25 anos.. Eu só trabalhei, não aprendi nada...”. Neste momento passa um cachorro e diz a Deus:-“Não se preocupe meu Deus, eu dou 25 anos de minha vida para ele.”. Então, o homem passou a não se preocupar com nada, comia quando davam comida, bebia quando davam o que beber, não se irrita e nem fala de ninguém, está tudo sempre bem com ele. (É o período do Idoso). Finalmente, chegou aos 75 anos de idade, e então, o homem disse:_”Meu Deus, dá-me 25 anos a mais, ainda tenho o que aprender.” E, desta vez, Deus disse:_”Deixa tua casa, tua família, e segue pelo mundo, como andarilho e vai aprender até morrer.” (Período do Sábio- chamados de Bábá- são os sacerdotes que seguem pelas ruas pedindo oferendas aos deuses e dinheiro, comida.)
             Nesta história Hindu, percebe-se como eles pensam a dimensão geracional: infância, adulto e idoso. Não há adolescência. E, nem adulto, porque na verdade ao casar para os pais continuarem com o controle eles, as vezes, subestimam a capacidade de seus filhos, inferiorizando-os (“Cortar as asas para não deixar voar”).
Os Hindus também são virilocais, ou seja, quando casam, com esposas escolhidas pelos pais, então a mulher perde todos os seus referenciais culturais e vão abraçar a cultura do marido, por exemplo, se ele não come carne, então a esposa também não comerá. Se ele tem um credo a esposa segue o dele, e assim, sucessivamente. As mulheres não possuem poder de decisão, exceto em casa. Para a mulher fica o âmbito da casa e para o marido o da rua, bem a Casa e a rua de Roberto DaMatta, em O que faz o brasil, Brasil. Todos residem no mesmo prédio, se for em uma casa, cada casa tem várias famílias, todas ligadas ao Patriarca, bem sistema colonial. Confiram as casas e observem o detalhe do portão. A noite em alguns bairros eles são fechados, como se fosse um toque de recolher, transformando-se em condomínios fechados como temos aqui.
Foto: Marcia Adriana


             Interessante é que cada bairro possui a seguinte estrutura: a Praça no centro e em volta, tem-se o mercado, as lojas, e as residências a posteriori.
            Bem, quanto as castas, como bem disse Cláudio Vicentino (2013) continuam a existir na Índia, apesar de terem sido abolidas na Constituição, promulgada na época da Colonização Britânica, e para conseguirem a Independência Gandhi lutou, mas jamais quis o fim das castas. Ele queria apenas a união da Índia para que voltassem a ser independentes. Após a Independência construíram um arco do Triunfo em Connect Place. Este lugar é onde ficam o polo comercial maior, bem como as embaixadas e tem tudo. O asfalto é perfeito, porque utilizam pneus na composição da liga. Confiram:
Foto: Marcia Adriana
           Outras cidades muito bonitas são Agra e Manali. Interessante que para passar de uma região para outra, atravessamos muitas barreiras, e as leis mudam. É como se existissem e termina existindo várias Índias dentro da própria Índia. Vamos conhecer antes de irmos a Agra e Manali um pouco mais de Delhi, capital da Índia, confiram as avenidas, tudo muito semelhante ao nosso, se não fosse pelo uso abusivo que fazem das buzinas, porque retiram os espelhos retrovisores laterais e é um Deus nos acuda! Confiram:
Fonte: Marcia Adriana
 E a ponte na qual o trem passa, observem a arquitetura!

                 
Foto: Marcia Adriana

Foto: Marcia Adriana

Vamos sair de Delhi e ir a Manali. Nossa!! um lugar muito interessante. É uma estação de veraneio e nesta cidade tem um banho terapêutico pelas propriedades da água morna. Também tem a floresta de Pinheiros na qual está o templo dedicado a deusa Laxmi. Neste templo, você entra em Pé e o teto vai sendo rebaixado, forçando você a chegar aos pés da deusa completamente curvado, independente do seu credo. Laxmi é a deusa da fartura, da abundância que abençoa os quatro cantos do mundo. Também tem Neve nas montanhas, e nestas, pode-se ver o fluxo das pessoas, e bizões. Além de avalanches! Também nas casas as roseiras são verdadeiras árvores. Lindas, cobrindo a faixada das casas. Confiram!
Foto: Marcia Adriana

AQUI ESTÃO AS ROSEIRAS NA FRENTE DAS CASAS. COMO ÁRVORES, SÃO LINDAS!!!

Foto: Marcia Adriana
Foto: Marcia Adriana

Foto da parte externa da Pousada que fiquei em Manali e ao lado, no topo das montanhas a neve.

Foto: Marcia Adriana

Foto da parte externa da Pousada, de um lado neve, e do outro esta maravilha!!

Foto: Marcia Adriana

Aqui a lateral com montanhas, cujos topos estão cobertos por neve.

Foto: Marcia Adriana

Foto da Arquitetura Indiana em Manali, Observem o telhado.


Foto: Marcia Adriana

Aqui o rio ganha força com o desgelo da neve.

Foto: Marcia Adriana

Aqui o rio ganha força com o desgelo da neve.

Foto: Marcia Adriana

Aqui o rio ganha mais e mais força com o desgelo da neve.

Foto: Marcia Adriana

Uma cachoeira feita do desgelo da neve.

Foto: Marcia Adriana

Aqui em Rohtang Pass, o nome desta Montanha em Manali.

Foto: Marcia Adriana

ROHTANG PASS

Foto: Marcia Adriana

Observem o detalhe do Bisão.

Foto: Marcia Adriana

Aqui com os trajes para passear na neve em Rohtang Pass, que você aluga na subida da Montanha.
Foto: Marcia Adriana

Floresta de Pinheiros que fica no bosque no qual está localizado o Templo da deusa Laxmi.

Foto: Acervo pessoal

Aqui sou eu em frente ao templo da deusa Laxmi. 


Aqui curiosidades quanto ao vestuário. Para mulheres que não são casadas conforme a tradição Hindu e solteiras, a roupa deve ser camisa, dupatta, salua. Conforme será isto nas fotos que seguem. E, nestas observem que o Dupatta é o lenço azul ou bege colocado em volta do pescoço, e cai sobre a camisa, dando um charme especial ao vestuário. E, também, como as camisas indianas são na sua maioria algodão, as vezes, são transparentes, o Dupatta, vem para cobrir o colo. A camisa, podem ser com mangas longas ou curtas, podem ser bem compridas ou na altura das coxas, outras até o joelho e outras, depois destes. São lindas! E o salua é a calça. A curiosidade da calça é que pode ser fofinha e presa no tornozelo, ou toda reta, ou mais justa.  Confiram alguns modelitos do meu acervo pessoal.







E, saindo de Delhi para Agra, depois da viagem a Manali, conheci Agra Forte, visitando também o Taj Mahal e Fatehpur Sikri. Esta última é uma cidade construida há mais de 500 anos, em estilo indo-arabico e que se mantem quase intacta com relação a sua arquitetura. E, o que mais me chamou atenção foram as plantas em volta e nesta cidade, todas muito semelhantes as que vemos aqui. Este espaço também é um espaço de orações. Possui uma mesquita e muitos homens vão orar. E, enquanto eles oram, as mulheres se posicionam perto da cripta construida em mármore de uma jovem esposa de um homem importante, então, todas pregam fitas nas paredes desta cripta e dizem que ela protege as família, bem como cada nó dado corresponde a um pedido que será atendido. Confiram as fotos que seguem de meu acervo pessoal., tiradas por mim e de mim, pelo meu guia. Aqui meu filho já estava no meu ventre.













E, bem ao lado de Fatehpur-Sikri, temos Agra, com o Agra Forte e Taj Mahal. Diz a história que a rainha Mahal ao ter o seu 13º filho faleceu e o Rei mandou construir o Taj Mahal, de uma maneira tão linda que fosse impossível ser construido em outro lugar, e para garantir isto, nenhuma pessoa que participou de sua construção permaneceu vivo. Pouco tempo depois, o  primogênito do Rei, constroi no Agra Forte uma ala de Marmore, onde aprisiona o Pai e toma o poder para si. E, quando o Rei morre, ele é sepultado ao lado de sua rainha no Taj Mahal. Então, quando eu entrei neste lugar foi que percebi que é um enorme Mausoléu. Um cemitério com um único Mausoléu. E, nas laterais deste tem-se mesquitas. Ao chegar próximo do Mausoléu, você tira os chinelos, porque a qualquer tempo o mármore é sempre frio. Então, tirei a minha sandália e entrei. É muito interessante... Dentro tem uma coroa de Marmore e no centro tem as duas lápides, com uma gruta embaixo onde foram guardados os objetos preciosos do mesmo. Toda a parede possui a flor de lotus desenhada com rubi e esmeraldas. Muito lindo! Contudo, continua a ser um Mausoléu. E, ao chegar, eu ficava a me perguntar porque tanto fascinio pelo Taj Mahal, tinha até danceterias com este nome, ao que eu perguntava, ir a uma Boate com o nome do Taj Mahal é a mesma coisa que Cemitério São Judas Tadeu, ou Alto da Ressurreição... Passou, por respeito a ser estranho para mim. Então, no lugar do fascinio sinto apenas respeito. E, nesta viagem, não fiz sozinha, meu filho já se encontrava no meu ventre. Eu já estava grávida. Confiram as fotos e para subir ao Taj Mahal, podem escolher o camelo como um dos meios de Transporte. Todas as fotos a seguir são do meu acervo pessoal, tiradas por mim ou de mim, pelo meu guia.

Parte externa do Hotel que fiquei em Agra. Lindo e suntuoso por fora e por dentro.

Aqui pode escolher como quer chegar ao topo do monte onde fica o Taj Mahal.

Aqui fica a entrada do Taj Mahal.

Uma pausa para foto e também para mostrar o complexo atras com corredores, É um cemitério enorme, NOSSA!!

Aqui outra entrada para o Portão principal.

E, ao entrarmos, finalmente, o Taj Mahal o maior Mausoléu do Mundo! No centro tem uma coroa de mármore e as duas lápides, do Rei e da Rainha Mahal.

Aqui, eu e meu filho no ventre, vivendo tudo isto.

Em cada lateral tem um jardim que leva ao Mausoléu.

Nesta entrada tem uma mesquita, bem como do outro lado também. No Taj Mahal, tudo é simétrico.

Mesquita que fica na lateral do Taj Mahal.

Agora, já prôxima ao Tumulo ou a entrada no Mausoléu, tem-se a mesquita.

Um rio passa atrás do Taj Mahal, e que é o mesmo que passa atrás do Agra Forte.

Pausa para este registro fotográfico.

Visão frontal do Taj Mahal. No final, tem-se um local para colocarmos os calçados. E, descalços entramos no Mausoléu.

Aqui, eu e meu filhão, descansamos um pouco em um dos arcos, que funciona como janela, do lado esquerdo da Porta de entrada do Taj Mahal, e é tudo frio, porque sendo tudo mármore, o mesmo mantem a temperatura amena.

Aqui são os bordados contidos em toda a parte alta de Taj Maahal. Bordado  que representa a Flor de lotús feita de pedras preciosas.
Agora vamos ver  as fotos do Agra Forte. Observem os detalhes na arquitetura, e os pontos em que o mármore é trabalhado com as mesmas pedras preciosas utilizadas no Taj Mahal. Todas as fotos foram tiradas por mim, ou pelo meu guia e fazem parte de meu acervo pessoal.


Entrada do Agra Forte




Observem os detalhes no mármore. Foi nesta parte de mármore que o Rei Mahal foi aprisionado pelo seu filho após a morte de sua esposa. E, assim, o primogênito assume o poder.





Aqui possui os mesmos bordados encontrados no Taj Mahal, e é um lava-pés.



Deste local o Rei quando começou a ficar cego, colocou um diamante 'olho de tigre' na parede, e dele conseguia ver o Taj Mahal, acompanhar todos os dias a sua amada.

AQUI, ACHEI INTERESSANTE PORQUE ELES JÁ FAZIA O RECOLHIMENTO DA ÁGUA DAS CHUVAS.



  
NA ENTRADA DO TAJ MAHAL, TEM ESTA PLACA QUE NARRA O SIGNIFICADO DESTE MONUMENTO, QUE NA REALIDADE, É UM ENORME MAUSOLÉU.
Foto: Marcia Adriana



Foto: Marcia Adriana- Finalizando este passeio com muito mais coisa na bagagem. Todo caminhar é válido, quando se aprende com o mesmo.

E, agora retornando a Delhi, detalhes sobre a culinária indiana. Essa é muito parecida com a nossa, por exemplo, arroz com frango, é bem indiano, com iogurte natural temperado com sal, pimenta do reino, cebola e todos comem esta refeição com a colher. Arroz doce, também uma sobremesa especial indiana, que acrescentam no lugar da canela, passas para que fiquem bem hidratadas. Feijão e arroz, NOSSA!!Uma delícia! Os doces então, nem se fala! Mas, o texto sobre culinária deixaremos para um outro momento. Enfim, aqui finalizo o meu relato, e vou para as considerações deste.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebe-se, ao longo da narrativa descritiva, que, como disse Claude Lévi-Strauss em seu livro Mito e o seus significados: por trás de diferenças, existem semelhanças, pontos que se cruzam e se mesclam, mesmo em culturas distantes.
E,  a partir desta multiplicidades de olhares culturais o etnocentrismo vai sendo trocado pelo relativismo cultural, que menciona, dentre outras coisas, o fato de que jamais haverá uma única cultura, existem culturas, que estão para atender as necessidades humanas, nossas necessidades, e, que,no momento em que for preciso, poderá ser modificada. Nada está completamente pronto.
Com esta afirmação, tem-se que o respeito as diferenças culturais é fundamental. Não precisamos aceitar o diferente, se esta aceitação pressupuser o desrespeito ao que se acredita, mas RESPEITAR SIM, É INCONDICIONAL.
Logo, tem- se que a India, realmente, não é apenas uma Índia, mas uma pluralidade de índias, que ora é muçulmana, ora Hindu, ora Siki. Também possui peculiaridades quanto ao vestuario, hábitos alimentares, organização familiar, dentre outros, e que jamais se pode ou poderá generalizar qualquer olhar sobre este país.
Portanto, tem-se que um país pode ser considerado como uma grande colcha de retalhos em que, cada pessoa que conhecemos ao longo da nossa trajetória de vida, passa a ser um destes retalhos preciosos com seus conhecimentos, suas partilhas que vão enriquecendo a nossa vivência e o nosso crescimento cognitivo, afetivo, espiritual. Tudo, realmente, é sempre um grande aprendizado. Foi maravilhoso esta oportunidade de partilhar os meus relatos do vivido na Índia com todos e todas vocês.
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REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de. Relatos do Vivido na Índia. Delhi, 2001

sábado, 15 de março de 2014

Múltiplos Olhares (Marcia Adriana (Eu))

Minha Foto: Acervo Pessoal

As vezes olhamos para a direita, 
outras para a esquerda,
outras ainda para a frente, mas o que vemos?
Fragmentos de uma realidade,
Paisagem retratada como verdade,
Olhares múltiplos, 
Múltiplos olhares de uma mesma realidade...
Cada um com suas certezas,
Cada um com suas dúvidas, 
Cada um com suas divagações...
Mas, e a vida?
E o que seria da vida, do viver sem todas estas dimensões?
Com cada uma aprendemos
Com cada uma revemos
Com cada uma desconstruimos e reconstruimos
ou não nossas certezas que tinhamos nas mãos...
E, GRAÇAS!!! Temos a possibilidade de recomeçar, 
de começar, de sorrir, de chorar, de sorrir de novo,
amando, se apaixonando e tornando-se apaixonante e apaixonada
Por outrem?! Talvez...
Mas, o certo e gostoso é quando nos amamos, e reconhecemos
que simplesmente SOMOS!!
Simplesmente Existimos
simplesmente pensamos
simplesmente não pensamos 
SENTIMOS
Racionalizamos...
Amamos...
Sim, amamos....
crescemos
aprendemos...
aprendemos a aprender...
aprendemos a sonhar..
aprendemos a ser sérios, risonhos, 
e vamos entre um aprendizado e outro...
vivendo
VIVENDO
VIIII VEENNN DOO
Vendo que a maravilha do viver
é descobri que todos os dias
simplesmente
podemos 
APRENDER... A SER..





sábado, 8 de março de 2014

DIA 08 DE MARÇO: PAUSA PARA REFLEXÃO SOBRE O NOSSO DIA, OU SEJA, O DIA DE NÓS MULHERES! ( por Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Marcia Adriana L. de Oliveira
Foto: Marcia Adriana Lima de Oliveira
      No Brasil o processo de colonização trouxe o sistema colonial em que na família predominava o pater poder. Neste, o poder era do homem, do pai e todas as demais pessoas não existiam como pessoas, mas como seres vivos que estavam para servir o Senhor de Engenho (OLIVEIRA, 2012). A mulher neste contexto como era tratada?
        Bem, a mulher era tratada como propriedade do marido e, neste contexto a Hierarquia de gêneros prevalecia, apesar da divisão de trabalho por gênero que dava a mulher direitos no âmbito doméstico, desde que estes estivessem de acordo com os desejos do Senhor, e a este era destinado o espaço da rua (OLIVEIRA, 2012).
         E, quando começamos a perceber mudanças? Elas surgem no momento em que as mulheres começam a trabalhar fora de casa, no âmbito da rua, começaram a estudar fora, em outros países em que as reflexões sobre a ruptura desta hierarquia de gêneros já estava em encaminhamento (OLIVEIRA, 2012).
          Além do trabalho, também a separação judicial (antigo desquite) vem para propiciar a mulher a necessidade do trabalho para o sustento da casa, dos filhos, mas, tudo isto começa a causar transformações no olhar da mulher sobre ela mesma; pois, com estudo, trabalho, assumindo os status (posições) ora de pai, ora de mãe, ora de filha, mantendo vivo a família, esta mulher começa a sonhar, e a tornar-se empreendedora também, ganhando a cada dia mais e mais espaço no mercado de trabalho.
                Com a Separação Judicial, década de 60 e o divórcio na década de 70/80 (Lei nº 6.515/77/78) é legalizado a posição ou o status da Mãe como "dona de casa (cuidadora)" e "chefe da família (provedora)" adquirindo mais e mais independência financeira e autonomia nas suas decisões, principalmente, acerca do que esta mulher deseja, quer.
                Mas, sendo mãe, em uma separação, até que o filho tenha entendimento e compreensão sobre relacionamento, a mãe, mulher dedica-se ao filho e pode ficar mais de 11, 12 anos sem absolutamente, qualquer relação com outra pessoa, desmentindo a fala de que "mulheres separadas eram mais vulneráveis e propensas  a estarem com alguém". Bem, mais do que a mulher, quando há filhos, a proteção ao filho e o bem estar bem deste falam mais alto para algumas mulheres que passam a se dedicar ao trabalho, a casa, a família e o pensar em outro alguém para dividir, partilhar suas vidas vai ficando bem distante, outras casam-se novamente, ou começam novos relacionamentos, não conseguem ficar sozinhas, consigo... Mas, as que conseguem sabem que a sua própria companhia é maravilhosa, e passam a aproveitar o tempo consigo, com seus filhos, com sua família, amigos, trabalho, descobre que a vida não é o outro, mas que já é viva e está viva, e se, houver novo encontro, pensa no filho, depois em si. Mas, dando certo, o outro não será o centro, mas um outro ser com quem irá partilhar, compartilhar as vivências, experiências até aqui.
                     E, em meio a estas descobertas de uma mulher, mãe, independente, tem também uma  grande parcela da população que passa a morar sozinha, o Direito sente a necessidade de ampliar o conceito de famíla para "laços de descendência por consaguinidade ou afinidade, qualquer um dos pares e seus descendentes, e, a partir da Constituição de 1988, no Brasil, com a mudança do conceito de família, tem-se a mudança nas relações de gênero, em que a partir daquele momento "homens e mulheres passam a ter os mesmos direitos e deveres tanto dentro quanto fora do âmbito doméstico (OLIVEIRA, 2012).
                         Neste sentido, a mulher vai, então tornando-se cidadã, e como cidadã não quer um relacionamento de superioridade ou inferioridade com o Homem, mas uma fala entre iguais, enquanto cidadãos de direitos e deveres iguais, respeitando, claro, as diferenças maravilhosas que existem entre si (OLIVEIRA, 2012).
                               Assim sendo, a mulher, nós mulheres demoramos tanto para chegarmos no momento em que se está atualmente, que não cabe mais o dançar músicas que tenham letras preconceituosas, desrespeitosas quanto ao que somos, Mulher. Faz-se necessário, rompermos a hierarquia de gênero em todos os sentidos e não estimulá-la com tantos preconceitos. Faz-se necessário compreender que depois de tanto tempo sem a fala, sem a ação, sem o saber fazer e o saber saber, não somos melhores ou piores que os homens. Somos apenas diferentes, biologicamente falando (Graças por isto!!). Mas, somos iguais em capacidade de trabalho, de aprendizagem, de liderança, de dialogarmos com ternura e seriedade, com carinho e justiça, com amor e dignidade, e tudo isto, tanto o homem, como nós mulheres somos em primeira instância Seres Vivos, depois Humanos, e Mulheres e Homens incrivelmente abençoados que devemos aprender a dialogar, trocar ideias, partilhar emoções, sentimentos, sensações com tranquilidade e respeito um com o outro (OLIVEIRA, 2012).
                                Por isto, neste dia, não se pense apenas nas mulheres nas fábricas que lutaram por horas de trabalho mais justas, pelo justo trabalho e outros direitos, mas pensemos em não invertermos a hierarquia de gêneros para um ditadura das mulheres... Assim, nada mudaria... inverteriam-se os papéis,  mas os desrespeitos continuariam a existir. Por isto, atenção, não se quer inimigos, mas parceiros, amigos, companheiros, um ser humano que apenas queira, deseje partilhar de suas vivências com tranquilidade, equilibrio, carinho, respeito, dignidade.
                                     E, por fim, dizer neste final que, como mulher que sou, é maravilhoso ver as conquistas, mas, é mais maravilhoso saber transformá-las em pontos de crescimento mutuo na relação e dialogo entre nós, mulheres e os homens. PARABÉNS A TODAS E TODOS!!!!!

REFERÊNCIA

OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de . Reflexões sobre a Sociologia Aplicada a Educação. Teresina: UAB/ FUESPI/ NEAD, 2012, pp. 74-110

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MOMENTO DE PASSAGEM = MOMENTO DE REFLEXÃO

Momento de Passagem trás no bojo momento de reflexão ou não... A reflexão sempre é oriunda de uma auto crítica, de uma parada para analisar o que foi bom, e melhorar, e o que foi ruim, jamais repetir... 
Porém, isto não deveria ser apenas no final do ano, como se na nossa vida, no nosso cotidiano, não precisássemos estar constantemente a nos autoavaliar. E, aqui não vejo a auto avaliação como um mal ou algo que beire a censura, mas vejo como algo positivo, se temos a consciência de que todos os dias estamos crescendo, todos os dias estamos aprendendo e, principalmente, estamos passando por mudanças e transformações a cada dormir e acordar, a cada dia aprendemos algo, o que antes sentíamos agora podemos não sentir mais, como víamos podemos não ver mais, enfim, tudo é efêmero... Porém, existem coisas que dentro desta efemeridade tem a sua dimensão duradoura, como a consciência de que o conhecimento é infindo e que sendo infindo, não pode ser aberto e fechado, ou seja, a cada dia, um pouco deste conhecimento vai sendo aberto e somado a este conhecimento, surgem outros e outros que o questionam, que o reafirma, que o acrescentam, que somam, jamais diminuem, jamais, torna-se algo tolo, banal, mas tudo o que aprendemos é importante, ou foi importante e um momento ou será importante em outro... Enfim, o conhecimento é o que nos faz ser cada vez mais seres humanos, cada vez mais homens, mulheres, crianças, mais e mais seres abençoados, ou que nos desumanizam, e nos tornam duros, insensiveis, mesquinhos... E, aqui é onde entra a autocrítica, e o conhecimento, que nos diz que o conhecer é algo tão grandioso, que temos que ter a humildade sempre, por sabermos ainda temos tanto a aprender, tanto a conhecer, e, assim, não cabe a arrogância, a prepotência, a ignorância de muitos que se deixam endurecer ou fechar-se frente a um conhecimento, tornando-se inflexivel a qualquer outro, a própria Vida. Assim, que a cada dia de 2016 e outros vindouros possamos estar no ínício do dia pedindo a Deus (pois este é meu credo, mas peçam ao que acreditam, uma Energia, um Ser Cósmico,..) humildade para aprender o que eu possa aprender ao longo do dia, e partilhar com alegria o conhecimento adquirido, e ao final de cada dia Agradecer a Deus tudo o que aprendeu, e fazer a autocrítica, se o que veio é bom, para que fique, ou se não que se vá, e fique apenas como alerta de algo que não se deseja ter jamais. ENFIM, FELIZ CADA DIA DE APRENDIZADO NESTE PLANO TERRENO, LEMBRANDO SEMPRE QUE SER FELIZ É UMA ESCOLHA NOSSA!!! TUDO NOS CHEGA, MAS SOMOS NÓS QUE ESCOLHEMOS FICAR TRISTES OU SORRIR E SEGUIR EM FRENTE!!  E DE TODOS OS NÃOS QUE JÁ TIVE, ESCOLHO A VIDA, ESCOLHO A ALEGRIA, ESCOLHO VIVER DIGNAMENTE, HONRADAMENTE, APENAS VIVER E APRENDER A APRENDER A CADA DIA!!!! SIGAMOS MARAVILHOSAMENTE AUTOCRITICOS EM 2016
!!!!!(COM LEVEZA, NADA TÃO SEVERO...) AMÉM! 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

COMENTÁRIO SOBRE O FILME ELYSIUM

        

                                           (Este trailler é o oficial disponibilizado no You tube)

            Hoje a tarde, fiz algo bem diferente do cotidiano, as 14:26 chegava ao cinema para assistir ao filme Elysium. Digo que o que me estimulou a ir foi ver a performance do ator brasileiro que admiro muito chamado Wagner Moura.
            Bem, a participação de Wagner Moura foi maravilhosa, sem contar que seu personagem tem uma importância fundamental por ser o grande idealizador do encontrar uma senha, uma porta de acesso não apenas para ele, mas para todas as pessoas que moram na Terra à Elysium, uma estação perfeita fora da confusão e do caos que ficou este planeta.
          Assim sendo, Spice, personagem de Moura, consegue através de Max, um jovem latino americano esta porta de acesso. Max é transformado em um "Robocop"  moderno, um homem biocibernético, integro, honesto, com sonhos, desejos voltados ao bem e a retornar para a Terra, mas não a Terra caótica que vivia e sim para uma Terra Viva. Bem, outro desejo de Max que o leva se transformar a pedido de Spice em um Robocop foi o fato de ele ter recebido uma forte dose de carga radioativa e possui apenas 5 dias de vida. E, neste contexto entre a vida e a morte a única solução seria chegar a Elysium para ser curado.
          Bem, somente Spice sabia como levar as pessoas para Elysium e, por isso, faz com que Max se transforme neste homem biocibernético, no intuito de obter informações preciosas para ele em troca deste o levar para ser curado em Elysium. Porém, somente poderiam chegar em Elysium cidadãos de lá, ou seja, apenas quem detivesse um poderio econômico satisfatório poderia chegar. E, nesta estação não há doenças, porque em todas as casas tem uma máquina que retira toda e qualquer doença, faz restituição óssea, de tecido, enfim, a tecnologia no campo da saúde é tão grande que basta deitar nesta máquina e em fração de milésimos de segundos a cura, a saúde é restabelecida, e a qualidade de vida, NOSSA!! É SUPERIOR A TUDO!!!
              A Terra contudo é devastada, é destruída e neste momento, vi Mad Max, e todos os outros filmes apocalípticos em que tudo é destruído e volta-se a pré-história, só que uma pré-história tecnológica, muito lixo e muita sujeira, muita doença, muitas mutilações, drogas....Uma guerra constante pela sobrevivência... Dois mundos e nestes, realidades distintas, cujo maniqueísmo é apresentado como seres humanos bons, chamados de gente e os  maus, chamados de bichos, de coisas....E, todos são Humanos, ou deveriam ser.....
                 Sabe, a tônica maior é a cura de doenças, pois, todas as pessoas que buscam a estação, não buscam para si, mas para seus filhos. Todos vão em busca de curas: do câncer, de doenças que hoje são muito complicadas, mas que apenas deitou na máquina pronto, tudo é resolvido... A cura ao alcance de todos!! A CURA AO ALCANCE DE TODOS!!! É isto que queremos, mas ainda não temos... Por exemplo, Medicamentos que hoje são descobertos e que apenas poucos são beneficiados por serem caríssimos... E, a nossa Terra? O que estamos fazendo com ela? Por que nossa cidade no BRO-BRÓ está mais quente do que tudo? Porque o aumento do desmatamento de áreas verdes sem replantio aumentou... Gente!!! Reclamamos, mas o que estamos fazendo com o mundo? No filme tem o Max, tem o Spice que lutam por justiça, para que todos tenham saúde, mas e hoje, o que estamos fazendo? Todos reclamam do SUS, mas não é o SUS que é ruim, e sim gestores, enfim, é preciso que a grande riqueza que todos os que nos representam almejem seja a SAÚDE, A ALIMENTAÇÃO, A HABITAÇÃO, O SANEAMENTO BÁSICO, A SUSTENTABILIDADE, A EDUCAÇÃO, O TRANSPORTE DE QUALIDADE, O LAZER DIGNO, para TODOS, e não, como disse na música "Como nossos pais" Belchior, o "vil metal". ENFIM, .... Talvez, tudo o que o filme retrata em épocas futuras, seja um pouco do que vivenciamos hoje 2013, do que vivemos hoje, aqui e agora... Porque se não pensarmos no agora, o futuro será igual ao do filme e de todos os filmes norte-americanos, bem apocalípticos, porque a ênfase é na destruição e não na construção, será terrivel!!! É hora de pensarmos no exemplo do bambu, em que todos trabalham juntos, por um bem comum.... Podem até dizer assim mas num universo capitalista, isto é possível? Sim. Exatamente, por ser capitalista tem-se condições de ampliar o desenvolvimento tecnológico aliado a uma melhoria para todos também... Utopia... bem, talvez, mas não vejo Utopia como impossível, pois, o impossível para mim é apenas o que não vi ainda... E, se esta máquina que cura tudo que já está na telona,  também esteja bem perto e próximo de cada um de nós.. Acho que no momento em que os filmes mostram, torna-se algo mais do que possível, vejam o submarino, o lazer, o balão e tantos outros que hoje vemos ao vivo e a cores..... Afinal, ninguém pode representar o que nunca viu.... 
            Quem não viu, vá assistir!! É muita emoção e adrenalina... Mas, nada que você não possa assistir sozinho (a) ou acompanhado (a) ao lado de alguém que segure a sua mão bem apertado nas cenas mais fortes... BOM FILME A TODOS e  MIL VEZES BRAVO, BRAVÍSSIMO PARA WAGNER MOURA!
                                                    (por Marcia Adriana Lima de Oliveira)

domingo, 8 de setembro de 2013

MAIS ROMANCE NO AR...

        A vida é maravilhosa, mas muitas pessoas estão míopes ou astigmáticas que não usam óculos, quanto ao olhar que estão tendo dela... Digo isto porque algumas novelas, retratam uma realidade e vida assustadoras, de crimes cometidos dentro da própria casa pelo irmão ou por qualquer outro membro da família.... E, tudo isto como se fosse algo normal, natural... As pessoas estão banalizando a violência, o que se torna a maior das violências, ou seja, a banalização dela.
       Por exemplo, você contrata uma pessoa para trabalhar na sua casa e ela, tendo inveja, ou nutrindo outros sentimentos não muito agradáveis, passa a invadir sua casa com emoções terríveis, trazendo mais desarmonia do que ajudando você a manter a harmonia, o bem-estar de uma casa bem cuidada, querida.. Pessoas matam, incriminam outras e sãs são ditas como loucas, em que se brincam com a loucura de uma forma grotesca, doentia, criminosa até... O que é um absurdo, pois, estas reações ou pensamentos quanto a loucura parecem vir de pessoas que jamais estiveram em um manicômio, pois, somente quem jamais foi direta ou indiretamente a um espaço destes poderia fazer o retrato da loucura tão estereotipado e com tanto desrespeito... Porque se tivessem, em algum momento ido em um espaço assim, tratariam da loucura com respeito, com dignidade, com responsabilidade, e não de uma forma mais violenta do que a própria loucura....
             Talvez, a palavra para retratar o que vivemos hoje seja uma banalização tão grande da violência, conforme dito no início deste texto, que quem escreve uma novela, já não sabe mais o que é violento ou não, apenas quer chocar, quer destruir, quer dizimar, quer torturar, quer incriminar, quer punir, nem se sabe o que, porque...  E, o que me preocupa, é que no horário dito "nobre" muitas crianças assistem, e, outras tantas assistem a programas, filmes semelhantes a qualquer horário nas TVs por assinatura, embora digam que o controle fica na mão de quem utiliza, nem sempre todos estão o tempo todo ao lado destes pequeninos, e, a visão da violência, da espionagem, da ambição desmedida, do matar o outro tantas e quantas vezes se queira, enfim, do fazer coisas abomináveis, torna-se algo comum.....Para mim, a pior violência é a banalização dela, é quando nos acostumamos com a violência ao ponto de não nos assustarmos, não questionarmos, não fazermos mais nada... absolutamente...NADA...
               Fico triste, com a Exaltação do Errado, através de bonificações oriundos de troféus ou premiação aos atores pelos seus personagens,  através da valorização do erro pelos risos e aplausos dados aos personagens que fazem coisas erradas, coisas ética e moralmente erradas... Tudo é motivo de riso e o bandido é valorizado, inclusive com postagens nas redes sociais de suas piadas, ironias, pensamentos, como se fossem lindos, nada preconceituoso, nada ameaçador, nada  terrível... E, a justificativa de quem coloca é que ele diz a verdade... Que Verdade?! O que é a Verdade, então? Ridicularizar o outro? Denegrir imagens? Invejar? Matar? Roubar? Abusar de tudo e todos? Quer dizer que se ver ferido é motivo para ferir, agredido é motivo para agredir... Não sei....  
                  Os noticiários já trazem muitas durezas, muitas mazelas, muitas e muitas coisas reais e absurdas... Então, falta, não somente aos noticiários, mas também as novelas, um olhar mais doce da vida, e, entenda aqui o "doce" não como ingênuo, como piegas, mas uma ênfase no correto, no justo, no educado, enfim, no amor, no respeito a este, na segurança, em coisas, que são boas e que existem e outras que queremos que exista, para que as pessoas que estão tão acostumadas com a violência, comece a conhecer oásis e a perceber, que são possíveis, que ser BOM É LEGAL!!
                        Assim, nesta noite, assisti um filme doce, gostoso, que fala de relacionamento com respeito, com carinho, e de como, as vezes, o amor está ao nosso lado e não nos damos conta, ou nos damos, mas temos medo...Ele se chama: "Cristina quer casar" e trás depoimentos, declarações de amor lindas!! Nossa, nos mostra que amar e ser amado por quem se ama é tão possível!! UAU!!Só não gostei no final quando ela deixa um pretendente no altar... Sabe, não machucar o outro a tempo de ele se recuperar é uma coisa, mas deixar alguém no altar.... Contudo, no todo, é muito interessante!! E, só por isto fiquei a me perguntar, porque não falar do belo, do lindo nas relações, do que queremos de bom? Por que não admitir que apesar de todos os pesares precisamos de mais romance no ar?.... 
                    Bem, quem ficou interessado em ver o filme, acesse http://www.youtube.com/watch?v=F-ujtvaPXfo e, veja um pouco do que é, passe em uma locadora e loque, não se arrependerá... Realmente, hoje, precisamos tanto de mais e mais romance no ar.... Bon jour!!!
                                                                                                       (por Marcia Adriana L. de Oliveira)