Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

sábado, 10 de setembro de 2011

Coisas de menino e coisas de menina....


           Ao chegar em um aniversário de uma princesinha, presenciei uma cena muito interessante que é uma das linhas de pesquisa no campo da antropologia e da sociologia, a questão de gênero. O fato foi que a princesinha foi presentada com a casa de brinquedos da Polly, e ela logo quis abrir, montar, vê-la fora da caixa. Então, a que a presenteou, pôs- se abrir e montar, e, meu filho, prontamente, estava ao lado, e pegou as peças para ajudar na montagem, como se fosse um quebra-cabeça. Neste interim, o filho da que a presenteou passou e perguntei:" Você não vai ajudar a montar também?" E, ele, prontamente, me respondeu:"Isto não é coisa para homem". Então, falei:"e você não terá no futuro uma casa? E não participará nas atividades de sua casa?". E, ele continuando o diálogo disse:"Não, vou ser jogador de futebol e não terei tempo para isto".
             Com estas questões, outras vieram e, na medida, do possível, fomos tentando sucitar reflexões e olhares para o que aquele menino não havia pensado ainda... E, mais que nunca percebi uma continuidade, na postura do garoto, que reproduz valores que lhe foi passado pelos seus pais, reafirmando a supramacia de gênero, na qual a rua fica para o homem e a casa para a mulher, e a mudança, na postura de meu filho, que não se incomoda em montar uma casa de boneca para sua amiga, ou até mesmo brincar, posto que em nossa casa, trabalhamos a cooperação, os cuidados conjuntos com a casa, arrumar, manter arrumado, organizar as coisas e, ele cooperar para esta organização, pois, um dia quando ele precisar, saberá fazer e contribuirá com sua companheira. E, com certeza estes cuidados jamais farão dele menos homem, mas sim farão dele um homem que também cuida, ajuda, coopera sem problema.
                Esta situação me remeteu as alterações nos brinquedos em decorrência das modificações nas relações de gênero, afinal, o brincar, o lúdico, a brincadeira é uma ponte no processo de socialização do grupo, que faz com que a criança aproxime-se do universo adulto. Por exemplo, na minha infância, as bonecas eram princesas, mães... Hoje, 2011, as bonecas são dentistas, advogadas, professoras, médicas, enfim, tem uma profissão, uma graduação. Elas dirigem, tem carros, pista de corrida, são pilotas, enfim, refletem as nossas conquistas como mulheres que passaram por várias situações como o desquite na década de 60, o divórcio  em 1977/78, a alteração no conceito de família na Constituição de 88, que dentre outros feitos garantiu a nossa cidadania, dizendo que "homens e mulheres tem os mesmos direitos tanto dentro quanto fora do âmbito doméstico", as mudanças quanto aos casamentos que antes da década de 80 eram mais cedos 17 a 20 anos no máximo, e hoje vão sendo realizados a partir dos 30 anos até o infinito da idade.
                   Quanto aos homens também observamos as mudanças, pois, tem-se que com o divórcio, começam a surgir as famílias monoparentais, em que alguns ficam com os filhos e aprenderam a cuidar, a olhar para o âmbito doméstico, ir as compras, trocar fraldas, fazerem cursos de culinária, participar das reuniões de pais, acompanhar os filhos na escola, enfim, engajarem-se no universo que era considerado apenas feminino, o que ampliou o olhar e a dimensão de homem.
                     Neste sentido, tanto homens quanto mulheres são diferentes quanto aos hormônios, a genitália (SALVE POR ISSO!!!), mas iguais em direitos e deveres, ninguém caminhando na frente ou atrás, exceto se a cultura do grupo assim o impuser, mas caminhando lado a lado.
                       Assim, percebe-se que as questões de gênero, continuam a nortear as nossas relações sociais, interpessoais, sejam dentro ou fora do âmbito familiar, sendo reproduzidas valorizando a hieraquia de gêneros citada por Richard Parker em seu livro, Corpos, prazeres e paixões, ou valorizando o relacionamento puro (companheirismo) presente no pensamento de Anthony Giddens no seu livro A transformação da Intimidade; sexualidade, amor e erotismo nas sociedades contemporâneas. Mostrando aqui, o que pesquisei na graduação e no mestrado as continuidades e mudanças nas relações familiais, a partir dos olhares que temos e repassamos aos nossos filhos acerca do que consideramos coisa de menino e coisa de menina.
                                                                  (Marcia Adriana Lima de Oliveira)
                     
                     

sábado, 3 de setembro de 2011

O Amor, a Razão e o Medo...

O Amor é algo que deva ser sentido com profundidade, suavidade, leveza.... Não com medo..
O  Medo chega e toma conta do coração, da mente de quem se pega amando alguém que dizia que "não poderia amar, porque hoje se estava junto, mas amanhã poderia não estar", e, o coração que foi conhecendo aquele ser maravilhoso, mesmo ciente dos riscos, e, exatamente, pela consciência dos riscos passou a ficar cego pela razão...
A razão que dizia:" Eu não vou sofrer, não vou me envolver"... Já estava sofrendo e extremamente envolvida..
Um dia o Amor perguntou a Razão:"Você acha que devo seguir meu sonho e viajar, ou ficar?" A razão, com medo de deixar o coração falar e dizer:" NOSSA!! Agora que começamos a nos conhecer melhor, não vá, fique comigo, eu te amo..."Não, não disse nada disso, muito pelo contrário, colocou-se no muro dizendo:"Escolha, apenas você pode fazer esta escolha". O Amor, triste pela resposta, levantou e saiu, deixando a razão chorosa, pois, não era o que ela gostaria de ter dito...
O deixar de dizer, de fazer... Nossa!! São coisas que atormentam a razão, quando ela deixa o coração falar sobre o Amor... O Amor que parecia correspondido, temeroso, pelas pressões, mas parecia correspondido... através dos momentos em que estiveram juntos, das conversas, do entendimento, do envolvimento, do desejo, do toque, da suavidade, do sorriso, do sentir-se bem na presença do outro, do partilhar de suas vidas, enfim... A razão, conheceu sim o Amor...
Pena que o medo de perder, de não se vê mais com o Amor, de não mais partilhar de sua vida com ele, foi tão forte, que a razão passou a usar "Eu vou fazer", mais do que "Nós vamos fazer"... E o Amor, foi ficando cada vez mais triste, sentindo que a razão era insensivel a sua dor, a suas dúvidas, a sua angústia, e que a razão era egoista por só pensar nela. Que Pena!! O Amor, não percebeu, que as suas palavras primeiras de "hoje estamos juntos, mas amanhã podemos não estar" foi quem fez com que o amor que a Razão sentia pelo Amor, fosse colocado de lado,  fazendo com que o medo predominasse...
Até que um dia, chegou o Argumento, que dizia:"Deixa o Amor em paz, afinal, ele já ama outra pessoa mesmo" "Deixe-o ir", e a Razão disse:"Tudo bem, se é para o bem do Amor, se ele ficará feliz, então, deixo-o ir". E, o Amor se foi, casou-se, separou-se, casou-se novamente, enfim,...segue amando!! E a Razão, após anos a fio, continua a racionalizar emoções, sentimentos, colocar-se em uma redoma, mas que ilusão!!, o não viver o amor, e outros amores.... entristeceram a razão, que fica feliz com suas outras conquistas e crescimento profissional, racional, intelectual,... mas o emocional... ficou com o Amor... o amor... que um dia... deixou...
Mas, em seus momentos de emoção, quando deixa falar o coração, lembra-se de que um dia amou e foi, ou achou que foi amada pelo Amor. A reciprocidade é o sentimento que devolve a Razão momentos de Felicidade!!
E, como diz Vinícius de Moraes, no Soneto de Fidelidade: "O Amor não é infinito posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure". (Marcia Adriana Lima de Oliveira)


domingo, 28 de agosto de 2011

A VIDA FLUI...



A VIDA FLUI...


               Assisti a um filme chamado "Simplesmente Complicado" e, ao final, a mensagem foi, não vale a pena viver no passado, pois a Vida Flui... Ela segue o seu curso como o mar, como o rio para chegar ao mar, misturar-se ao oceano....
                Como já dizia Heráclito:"o homem não banha no mesmo rio duas vezes, porque nem ele é o mesmo e nem a água o é". Este movimento dialético que animou tantos pensadores, dentre eles Karl Marx, que ressaltou  os quatro princípios fundamentais da dialética: "tudo está interrelacionado; tudo se transforma; a transformação é qualitativa e a luta dos contrários".
                Uma bióloga, geneticista maravilhosa, disse que os mistérios sobre o retardar o envelhecimento já havia sido descoberto, mas que junto com a descoberta, vinham várias doenças, porque, a célula foi feita para morrer, ou seja, não nascemos, realmente, para a imortalidade neste plano...
                E, com estes três pensamentos acima, sobre o filme, os pensadores e a fala da geneticista precebe-se que o fluxo da vida é, como todos sabem, certo, pois a Vida flui sempre, contudo, ao nascermos e entrarmos no barco, vamos guiando o fluxo ou apressando ou retardando - o, cientes de que jamais será evitado, ou negando oportunidades maravilhosas de parar e aproveitar momentos únicos, ou ainda,  escolher sermos felizes, mesmo que apenas por instantes, ou ainda por toda a vida, com tudo o que ela trás...
                Ter consciência destas teorias da dialética, do movimento, dos aprendizados que negam ou questionam as "verdades de outrora" que passam a ser outras a cada momento, num movimento maravilhosos de continuidade e mudança, isto é fato. Contudo, por que mesmo sabendo disso nos prendemos a passados, sejam fatos, momentos, amores, vivênci
as, emoções que, por vezes, são prejudiciais ao momento atual, por nos prender no meio do rio com âncoras do passado que nos impedem de continuarmos a fluir, ir com as águas do rio? E, nesta escolha, vamos ficando presos no mesmo lugar de memórias, apenas vendo  novas águas passarem e tocarem o casco do barco, mas não nos permitimos sequer ver como são, o que trazem, ou colocarmos o pé na água... As seguranças... As certezas que construimos, e que podem ser desconstruidas e reconstruidas, ou não construidas, mas substituidas por outras conforme o contexto que se está vivenciando neste momento...
                  Escolhas? Escolher ser feliz ou maturar tristeza... Será isto uma escolha? Romper estes grilhões que formam a corrente que segura a âncora e deixar o barco continuar o seu curso é uma atitude corajosa que todos podemos ter, conforme o estimulo que temos com relação ao que, realmente, queremos, ao que vemos enquanto Vida, Viver, Felicidade, Amor, Acolhida, Superação, Vitoria e Conquista!!
                  Assim, temos que pensar sempre na nossa vida, no que estamos fazendo, nas implicações e consequências, no que queremos de verdade ser, fazer e darmos o primeiro passo para que estes sonhos se materializem, pois como diz na Bíblia:"tudo é possivel ao que crê". Ao que acrescento, tudo é possivel ao que crê e faz algo para materializar o sonho, vai a luta e não cruza os braços, mas constrói e se alegra com as escolhas. Mesmo as tristes, pois estas trouxeram novos aprendizados..
                  Vivermos como eternos aprendizes, reconhecendo a imprevisibilidade da vida!! Simplesmente complicada, mas magnífica!!! Dificil, mas jamais impossível!!
                     PAZ  E BEM!
                     (Marcia Adriana Lima de Oliveira)


sábado, 13 de agosto de 2011

O que é ser pai e / ou mãe?

         

            No universo sociológico ser pai e/ou mãe são status, ou seja, posições que você ocupa como membro de um dado grupo social, neste caso, o grupo social família. Tem-se família aqui como "laços de descendência por consanguinidade ou por afinidade" (OLIVEIRA, 2003; DURHAM ,1983; ABREU, 1982; ...), ou seja, não importa se seja ou não descendentes biológicos, podem ser adotivos, ou adotados por afinidade, todos são família.
           E, quando pensamos em pai/ mãe, geralmente, associamos estas posições as pessoas que os ocupam, ou seja, os genitores, os seres biológicos que com a ajuda de seu óvulo ou espermatozóide contribuiu para que as crianças viessem a este mundo. Contudo, cada posição possui um papel social, ou seja "um conjunto de expectativas acerca do que o indivíduo que ocupa a posição deve fazer". Logo, ao ocupar a posição de pai, o que é experado que quem a ocupe faça? E da de mãe? O que uma mãe deve fazer?
             Assim, pai, mãe e filhos são posições que vão sendo preenchidas conforme a cultura, ou seja, valores, crenças acerca do que cada pessoa ao ocupá-las fará... Porém, em decorrência da diversidade cultural, do fato de sermos mais que sujeitos sociais, mas sim indivíduos, com vivências, experiências, subjetividades... Cada um de nós irá dar o seu toque a interpretação aos papéis, acrescentando falas e outras expectativas que antes, não existiam, ampliando o papel.
                E, nestas ampliações do papel social correspondente ao ser pai ou mãe, tem-se que qualquer pessoa independente do sexo, pode na família, ora ocupar a posição do pai (prover, dar segurança, proteger), ora a da mãe (acolher, cuidar, proteger, dar as direções, ...) ou a do (a) filho (a) ( quer carinho, proteção, cuidados).
                Logo, pode-se dizer que na família estamos constantemente dialogando com as várias posições (mãe/ pai/ filho (a)). E, ao ocupá-las os papeis corresponentes devem ser desempenhados a contento. E, neste momento, percebe-se como é difícil ser pai, ser mãe e ser filho (a), envolto em "n" expectativas, acerca do que se deve fazer, do como se portar, ... Uma sobrecarga, as vezes enorme, principalmente para quem é mãe solteira ou pai solteiro (entenda-se que aqui entram todos aqueles que cuidam dos filhos, independente de serem estes pais biológicos ou adotivos ).
                  Deseja-se o melhor para o (a) filho (a), mas deve-se aprender a ouvi-los acerca deste melhor... Dialogar, conversar, observar, participar da vida, enfim, quantos ensinamentos e aprendizagens... E, na escola, observar o crescimento, as dificuldades, tentar sanar as dificuldades, intervir, conversar... Professoras que são apenas professoras co-repetidoras e não educadoras, que ao serem interpeladas acerca do que fazer para melhorar o aprendizado, sentem-se acuadas e terminam "marcando" os (as) filhos (as) que estão em processo de formação (Ensino Fundamental) e veem -se diante de um obstaculo que é maior que o físico, mas é psiquico, o readquirir a auto-estima, sentir-se capaz de realizar a atividade, convivendo com este tipo de exemplo de professor, que ao meu ver, deveria desistir da docencia, pois, realmente, não acrescenta e nem faz jus a profissão... E, nós pais, apreensivos, com uma sobrecarga de status (temos trabalho, casa, escola, filhos,....) aumenta a ansiedade, a preocupação, o nervosismo, que acaba mais dificultando que ajudando...
                       Rever posturas, valores, atitudes, enfim, rever a própria vida, é uma grande grande arte. A arte da humildade, frente ao fato de que ninguém nasce pai ou mãe, ou até mesmo filho (a), vamos aprendendo a ser num continuo processo do aprender, a cada etapa da vida.
                         E o que me encanta mais, apesar das angústias neste processo é o olhar para um ser, pequeno, mas grande, aparentemente fragil, mas que é forte, e, vê-lo se aproximando, abrir um sorriso e dizer com todas as letras: "Mãe, eu te amo, vamos conseguir vencer juntos!!" É isso aí!! Vencer juntos sempre!! Aprender, crescer, amadurecer, sofrer, ser feliz, conquistar, vencer!!! Altos e baixos que chegam para sacudir a vida e nos fazer redimensionar quem somos, o que somos, o que queremos ser, e como faremos para chegar lá!! Eu quero ser uma maravilhosa mãe e dar ao meu filho, como venho dando o meu melhor para que ele cresça!! É fácil? Como disse anteriormente, não é, mas vale a pena, pois, ser Pai / Mãe é, antes de tudo, doação, responsabilidade, ser duro quando é preciso, ser molinho nos momentos certos, sermos humanos, mostrarmos que somos seres que erramos e que acertamos, mas que ao errarmos reconhecemos nossos erros, nos desculpamos e modificamos, e amamos muito incondicionalmente a pessoa que nos proporciona ocuparmos esta posição privilegiada de Pai/ Mãe que são os (as) filhos (as).
Feliz dia dos PAIS!! DAS MÃES - PAIS!!! DOS AVÔS/ TIOS- AMIGOS PAIS!!!
                                                                                                           (Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Referência
OLIVEIRA, Marcia Adriana L. de. Separações e Divórcios: elementos que fazem parte da dinâmica familiar ou elementos de desestruturação desta? In: Revista CEUT, v.3, nº3. Teresina-Pi: CEUT, 2003




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Minhas Reflexões sobre a letra Sonho Impossível de Chico Buarque e Ruy Guerra, intepretada por Maria Bethania



"Sonhar, mais um sonho impossível", quando o impossível talvez seja o que não conhecemos, não desejamos, não queremos...
"Lutar quando é fácil ceder", em meio a tantas facilidades, tantas oportunidades e possibilidades de escolhas, manter-se firme no ideal construido e acreditado é muito difícil....Mas possível, para quem acredita mesmo no que quer e luta dignamente em prol desta conquista, luta por melhor estudo, melhor trabalho, melhor habitação, melhor transporte, melhor qualidade de vida, melhor vida, melhor direito a ter uma família, a ter filhos, a ter amor, alegria, a voz, a vez, luta por si, pelo outro, outros, mundo, cosmo...Luta pelo que acredita...
" Vencer o inimigo invencivel", inimigo, que na verdade jamais é o outro, mas somos nós mesmos... Ninguém é mais prejudicial a nós do que os nossos pensamentos, do que os momentos em que nos deixamos levar pelo medo, pelas más impressões, pelos equívocos da vida, sem ter a coragem de esclarecer, de explicar, conversar,... Vencer o medo, superar as barreiras criadas na nossa mente e dizer: Eu posso, Eu consigo, Eu vou VENCER, E CRÊ!!  MARAVILHA!!!! VENCI!!
Negar quando a regra é vender". Em meio a uma sociedade do consumidor/ do consumo, do descartavel, da superficialidade que impede a intimidade, o envolvimento, o relacionamento, a valorização do individualismo e não individualidade, enfim,... Quando se crê, acredita-se que em meio a compra e venda, os sonhos não se vendem, os sonhos são bens raros e preciosos que nos ajudam a ter estimulo, objetivos, traçar metas, visualizar o futuro, sem perder de vista o agora, e, principalmente, valorizar a vida!! Nada disso é vendável!! E, quando aprendemos isto, aprendemos que para viver não precisamos de muito, materialmente falando. Precisamos sim, da nossa integridade, honra, dignidade, valores, amizade, família, amor pelo que se faz sempre!!
"É minha lei, é minha questão!! Virar esse mundo, cravar esse chão/ Não importa saber, se é terrível demais/ Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz/ E amanhã se esse chão que eu beijei/ For meu leito e perdão/ Por saber que valeu, delirar e morrer de paixão/ E. assim, seja lá como for/ vai ter fim/ a infinita paixão/ E o mundo... Vai ver uma flor, brotar do impossível CHÃO". E, assim, tem-se que nesta luta pelo direito a vida, a liberdade, enquanto consciência do assumir responsabilidades pelas escolhas feitas, do buscar viver sempre com dignidade, respeito incondicional a si, ao outro, ao mundo. O que é impossível, vai se tornando possível, o que era sonho vai se tornando realidade, dando lugar neste chão da aridez humana a flor, ao amor, a felicidade do sonho realizado para que novos sonhos surjam, brotem, floresçam a partir dO TOQUE SUAVE DE UM ABRAÇO GOSTOSO que indica que estamos VIVOS!!! (Letra: Chico Buarque e Ruy Guerra/ reflexões sobre a letra de Marcia Adriana Lima de Oliveira)








domingo, 17 de julho de 2011

A Cidade em Chamas (Afonso Lima)

   A Cidade em chamas é o livro de Afonso Lima, Advogado, Licenciado em História -UFPI e artista (ator, diretor, dramaturgo, compositor e escritor).
    Neste livro, apesar da leitura ser contagiante e fluida, pela disposição do texto que foi elaborado como "poema trágico de um crime impune", as queimadas ocorridas em uma cidade no Nordeste em meados dos anos 1940, mergulha-se no desespero de pessoas que perderam tudo, pessoas que foram forçadamente obrigadas a silenciar,e, por causa disto, este livro é dedicado aos "filhos de ninguém", pessoas que foram presas injustamente, e libertas graças a um homem, filho de pessoas influentes na época, e que foram defendidos por seu advogado, pois caso contrário terminariam seus dias na prisão.
    Assim, este livro é um misto de dor, sofrimento, angústia, superação, força, vitoria, embora na guerra, sabe-se que não há vitoriosos, uma vez que as perdas, também, são parte deste processo de lutas pelo poder.
    Neste incêndios eram interditadas ruas inteiras e, ninguém poderia entrar ou sair. Evidenciando várias mortes. Vamos ver alguns trechos para que entendam a profundidade do que se fala, através de fragmentos do Texto de Afonso Lima:
Primeiro Movimento, parte I: "Temeram as palhas da cidade na loucura de 41/ Amanhecera/ Era noite nas sarjetas da mente/ e queimava o brilho de estandartes/ subiram ruas e era triste a vida/ disseram alegrias e não chegaram"
Parte II- "Eram doridos sustos/ quando anunciaram o facho ardente/ Luzia (...) suspira um casebre seu / (...)/ 1941 tudo começara!/ o estadista grande e seus discípulos/ envoltos em maldade ou ilusão/ pensaram acabar com a miséria que habita a cidade empobrecida/ usando a caldeira pra vir a tortura Edasima e Domingos importaram.../"
1942,  "no reveillon de 1942/ os Diários se enchem de luz/ estouram-se champanhas brindando a vida e um novo ano surge assustado/ definitivamente marcado"
Na fala dos bairros, senti-me tocada, em especial, porque moro em um dos bairros que na época havia sido queimado, vejamos outros trechos de Afonso Lima:
"Cabral, Proenquanto, vai Cruzeiro/ Matinha, Matadouro, adeus Piçarra/ Vermelha, Cajueiros, Barrocão e mais lamentos e mais gritos/ e outros tantos sumindo na fumaça abraçados pelo fumo do terror"
é incrivel como as estórias foram contatas, manifestas, através do depoimento de pessoas que viveram nesta época ao mencionarmos o livro e a passagem acima.
Outro momento de Afonso Lima tão interessante como os anteriores são os que seguem a seguir:
"Quanta atrocidade em teu nome/ quanta traição aos teus filhos (filhos da cidade)/ acurralados pela 'chuva' tirana" O detalhe importante é que a palavra chuva aqui vem como sinônimo de fogo, que fora proibida de ser mencionada. Por isso, criaram a palavra Chuva para poder participar do processo de comunicação com vários outros.
 E, nesta escrita na parte IV tem-se que: "Manoel Gomes Feitosa agoniza quebrado, furado esvaindo-se devagar/ Malhado no epigástrio, no hipocôndrico, no íleo as lesões vão rompendo devagar/ pingo a pingo o sangue inunda o corpo minando a vida, a lucidez/ evaporando na fumaça a delação LIBERDADE!"
E no seu final é colocado que a palavra "fogo" volta a ser pronunciada, após mais uma batalha vencida!!

   Enfim, é uma poesia trágica, que possui no seu bojo, uma poesia denúncia!!

   Parabéns, Afonso LiMA, PARABÉNS!!!

   E, quem quizer falar com o Afonso Lima para obter a obra e conferir o que disse aqui, o endereço é: zafonsolima@hotmail.com.

    PARABÉNS, José Afonso!! Porque, através  do seu livro, nossa cidade, vai reavivando a memória e não apenas esquecendo de momentos dificeis, mas principalmente, observando o passado, não cometer, ou ver cometido os mesmos erros. SALVE!!!!!



    


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Janela da Alma (Documentário Brasileiro de João Jardim e Walter Carvalho)

      Este foi e continua sendo um dos melhores documentários brasileiros que já assisti na proposta apresentada. O filme nos chama a uma reflexão sobre os olhos serem e terem sido considerados como "as janelas da alma". "Será que os olhos são, realmente, as janelas da alma?" "Será que a primeira impressão é a que fica?"
       Na Antropologia aprendi, com a vivência, que os olhos não são as janelas da alma, mas sim portas para equívocos, pois, no primeiro momento de um encontro com outro, observa-se, buscando traços ou características que nos coloquem em uma posição confortável com relação ao outro. Busca-se encontrar semelhanças, enfim, um encontro com um espelho, e, não com o outro como outro. E, neste processo interrelacional, os olhos julgam, pré-julgam, enquadram e são enquadrados nas dimensões culturais que permeiam nossas vidas. Fazendo que apenas a convivência, possibilite a ambos uma aproximação ou distanciamento, um real encontro consigo e com o outro como duas subjetividades, e, não projeções.
         Ao ver o documentário percebe-se na fala de Antônio Cicero que os olhos não são as janelas da alma, porque a janela não vê, "quem vê é o olho através da janela"... Oliver Sacks também diz que "os olhos como janelas, colocam-nos como passivos frente ao conhecimento ao mundo, em que tudo ou sai ou entra, e na realidade as coisas entram e saem a cada encontro, a cada conhecimento, a cada processo de crescimento, a cada partilha, assim, não somos passivos, mas sujeitos ativos, como diz Marx, críticos e reflexivos, fazedores e construtores de nossa e de outras histórias
          Outra passagem interessante é a fala de Paulo Cesar Lopes que diz: "cada experiência de olhar é um limite" NOSSA!!! Isto é fantástico!! Porque vemos, através da grade de leitura do vivido, pelo que aprendemos nos múltiplos processos de socialização, sendo este direcionado, ou fruto do imprevisivel!! Construindo um campo representacional que permeará não só o nosso olhar, mas o olhar do grupo ao qual pertencemos, ou com quem construimos um sentimento de pertença, uma identidade. Então, até entrarmos em contato com o diferente, consideramos as verdades do nosso grupo de pertencimento. Ninguém questiona o igual, é o diferente que nos chama a uma reflexão, é ele que nos coloca frente as certezas e nos mostram que existem outras certezas, fazendo-nos refutar as novas ou abraça-las, ou seja, temos um primeiro olhar etnocêntrico, preconceituoso com a vida, o mundo... Contudo, é o diferente que nos faz refletir e ampliar o olhar para outras possibilidades de leituras de mundo, em que mesmo que não as aceitemos, precisamos respeitá-las incondicionalmente, e, assim, com este olhar, entramos no universo do relativismo cultural.
             Manoel Barros, acho, diz que: "o olho vê, a memória revê e a imaginação transvê, transfigura, transforma o mundo". UAU!!! Temos aqui a chave do campo representacional, que conforme Durkheim, representações sociais são conceitos, imagens e sentimentos que Moscovici ampliou para o como esta construção ocorre, para como são formadas as representações, e, realmente, só podemos representar, ou apresentar o que conhecemos, e, neste bojo, a imaginação contribui para consolidar e ampliar este campo representacional. Geertz, em Cultura e Mente (In: A interpretação das culturas), menciona que o cerebro é a máquina, mas é a imaginação, o software que faz com esta máquina funcione. E, Leslie White, sempre disse que:" se queres conhecer o significado de um símbolo, deves conhecer o grupo que o criou" trabalhando a diversidade cultural, simbolíca no campo da linguagem.
                 Linguagem está que está sendo reduzida a imagens, e no documentário três pessoas maravilhosas abordam isto, Carmela Gross, Win Wenders e José Saramago. Carmela Gross diz:"Ninguém jamais se imagina pensando fora de foco", chamando-nos a uma reflexão sobre o que é o normal e o anormal em um grupo, são construções sócio-psiquicas- culturais. Win Wenders diz que: "Antes os filmes possuiam tomadas longas sem fala, para que o telespectador pudesse participar desta construção, entrasse ou refletisse sobre o que estava assistindo, dando vasão a sua imaginação; mas hoje, os filmes estão repletos de imagens, não precisamos mais questionar, pensar, as imagens já estão lá, dadas, postas, é só digeri-las..." e Saramago diz que:"Foi preciso que esperassemos todos estes anos para que finalmente vivessemos a caverna de platão, em que vemos as sombras, as imagens e acreditamos que são a realidade. Vivemos em um mundo imagético"..
                  Assim, as linguagens se pluralizaram, mas em compensação, as reflexões deram espaço para uma preguiça mental que assusta... Logo, sente-se a necessidade de suscitar estes espaços de questionamentos, de troca, de dialogo fazendo com que os olhares se pluralizem ou caminhem para o mesmo ponto neste universo interpretacional, simbólico.
                   E, munido deste espírito questionador Eugen Bavcar, diz que:" muitas vezes os colegas querem ver por nós, mas que é importante vermos por nós mesmos" E, neste contexto o conhecimento faz isto, leva-nos para outros olhares e visões, outras possibilidades de compreensão de mundo que jamais teriamos se não fossem nossas vivências.. Nossas vivências...
                   Também, tem-se lugar neste espaço reflexivo para a emoção, que vem do amor de Agnes Varda por Jacques que fez com que ela o filmasse através de uma aproximação da camêra que nenhuma outra pessoa poderia fazer, simplesmente, porque ela, que o amava, queria captar os detalhes mais sutis e que ficariam para sempre na sua memória através da proximidade com que observa o homem amado.. É como se ela o acariciasse com a camera e o cheirasse, o tocasse... É um momento lindo!!!
                     É um momento que nos chama a uma reflexão para o fato que vemos com todos os sentidos... E que o caminho para a alma do outro é dado em cada espaço de abertura que o outro e você dão-se, permitem-se nos seus múltiplos encontros...
                                                                            (Marcia Adriana L. de Oliveira)