Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sexo e Amor


Foto: Marcia Adriana
        Muitos como a Rita Lee, tentaram fazer uma diferenciação entre sexo e amor, mostrando que são diferentes. Contudo, aqui pretendo fazer uma reflexão sobre uma complementariedade, bem vejamos...
         Quando você é uma pessoa que já teve uma relação marital com alguém, depois, separam-se, tem filhos ou não,  os olhares dos outros são não quanto a pessoa incrivel que és, as conquistas, as descobertas, o que está fazendo ou não da vida, no trabalho, com os filhos, enfim, as maravilhas aprendida ao longo dos anos e a cada segundo; mas, quanto a sua vida sexual, se está ativa ou não... Ora, para muitos fazer sexo é algo banal, corriqueiro, deitar-se com alguém é simples, pois, o que desejam é a satisfação imediata de um prazer, cada um sendo um objeto de prazer para  o outro, e ao acabar o momento, vem o vazio, ou a sensação de mais uma conquista. Porém, para outros, aos quais me integro, sexo, pura e simplesmente sexo, é vazio, pois, quando atrelado ao sentimento que se tem um pelo outro, NOSSA!! É outra dimensão, possui outros significados, que vão além da dimensão física, ocorrendo naquele momento encontro de almas, partilhas de um ser completo pleno, com outro ser completo pleno que mergulham no universo afetivo um do outro. Pessoas que  se dispõem a explorar este universo com cautela, respeitando limites, descobrindo zonas e regiões de prazer um do outro, trocando caricias, tocando com um carinho e amor enorme o corpo um do outro, cujo desejo, vai ganhando outras dimensões de cheio, de grandioso, de magnificamente maravilhoso!!Pois, um quer ser tocado pelo outro e vai sinalizando onde o outro pode tocar, como tocar, enfim, participando de um processo de comunicação fantástico, como diz, Ray Birdwistell,"ninguém comunica a ninguém, as pessoas participam umas com as outras do processo de comunicação", que segundo Winkin é orquestral, pois envolve gestos, e palavras, silêncio e música.
           Assim, para quem quer participar de um processo de comunicação com o outro, de desnudamento, não apenas físico, mas alma, qualquer desejo, não é motivo para fazer sexo, pois o que se busca é algo muito maior, que dura mais do que alguns segundos ou minutos,... É mais intenso, pois busca-se um companheiro para dividir a vida, dividir a si mesmo, dividir sentimentos, sonhos, desejos, realizações, alegrias, tristezas, comungar, e não apenas pontuar e aumentar momentos de carencia afetiva, através de qualquer transa, de qualquer encontro que não vá durar...
               É sabido que o tempo é uma construção socio-cultural, mas a dimensão e intensidade do encontro é medida pelo que sinto, pelo significado atribuido e pelas marcas no corpo físico e simbólico que irão ser guardadas ad infinitum... Por isso, estar com o outro intimamente, não é brincadeira, não é algo banal, não é mera satisfação momentanea... Mas, é um momento que se desdobrará em outros momentos de descobertas, dialogos corporais que irão aumentar a intimidade e fortalecerão a relação. Enfim, será o sexo como complemento do amor, e não a redução do amor ao sexo, na fala banalizada do "vamos fazer amor", quando as pessoas não sabem muitas vezes e jamais sentiram até aqui o que é realmente AMAR alguém, a começar por si mesmas. 
             Por isso, no AMOR, sentido, vivido, construido, porque amor não é, mas está sempre em processo de construção o erotismo, trás o prazer, faz aflorar o desejo, mas é o AMOR que fará com que o respeito que você sente por si mesma, ou por si mesmo, diga se vale ou não a pena ceder... E neste, momento, a pergunta que deve ser feita é: "O que quero desta relação?" "E, o que você quer?". Bem, se coincidir, ótimo, mas se não, é melhor tomar um bom banho, esfriar o corpo e seguir a vida, antes de um momento que deixará marcas não tão agradáveis, vazias, em cada um. Pois, mexer com o outro, com o sentimento de alguém é muito sério. 
                     Por isso, ao longo destes quase quatorze anos, prefiro continuar sozinha, a profanar o meu templo que é o meu corpo, com uma ou umas transas sem AMOR. Como diz Novalis, citado por Jean Yves Leloup, no seu livro O corpo e seus símbolos: "Lembre-se de que quando tocamos um corpo, estamos tocando um templo". E ao tocar este templo, este corpo, não estamos tocando apenas um corpo físico anatômico, mas um corpo de memórias, em que como diz Leloup, todas as nossas andanças foram registradas, todos os nosso medos, receios, todas as nossas vivências estão inscritas neste corpo, e assim tocamos corpos (corpo religioso, corpo social, cultural, psiquico,...) Daí, a nossa responsabilidade ao estarmos com um outro, ou escolhermos alguém para participar do processo de comunicação, mantendo uma relação dialógica; pois, no AMOR, não é apenas o momento, mas todas as vivências até aqui, que vão cristalizando momentos a dois, e fazendo com que o tempo seja sempre redimensionado, para que cada encontro seja único, maravilhosamente único com a pessoa com quem você está, seja no primeiro encontro, seja quinze anos ou vinte anos ou cinquenta ou mais anos depois do primeiro encontro... O olhar para a pessoa, claro, vai mudando, mas como um magnifico vinho, vai ficando cada vez mais e mais agradavel, muito e muito melhor, porque o sexo, entra como um complemento que vai sendo modificado no encontro de almas, que estas pessoas que decidiram partilhar suas vidas, casarem-se, viverem juntas, renovam a cada dia de suas vidas, fortalecendo a amizade existente entre elas; fazendo com que ao deitar e ao acordar e olharem-se, as pessoas agradeçam ao Ser SUPREMO, ao Ser Superior, a Deus, por terem encontrado uma a outra, e decidido não desperdiçar a oportunidade de se conhecerem, de serem felizes. 
             Lembrando aqui, que a felicidade é uma construção feita em terrenos sólidos, no enfrentamento em conjunto do casal das dificuldades que aparecerem, apareceram e aparecerão em suas vidas, sempre um ao lado do outro, amando-se e respeitando-se; e a cada dia querendo estar mais e mais um ao lado do outro.
                  PAZ E BEM
               (Marcia Adriana Lima de Oliveira)



              






sábado, 24 de dezembro de 2011

PARTILHAS NATALINAS: REFLEXÕES SOBRE O SENTIDO DO NATAL!!

        Chegamos ao término de mais um ano. Contudo, antes do término, propriamente dito, no início de dezembro, os Cristãos começam a vivenciar o Advento, "anunciando a chegada de Deus", na forma de um menino que foi chamado de Jesus Cristo.
              Cristo nasceu e foi conquistando o mundo, não através da força, mas através da palavra e de todas as suas ações e, nestas, o amor que foi incondicional. Amor manifesto aos pais, na forma de respeito, consideração; manifesto a Maria Madalena, em que independente do que ela fez anteriormente, Ele a perdoa; as crianças, idosos, enfim, a todos indistintamente. Deixando para nós o seu mandamnto maior:"Amai-vos uns  aos outros como eu vos tenho amado". E, a questão hoje é como tenho amado a mim, ao outro, aos outros a minha volta, então? O que é amor?
                 Muitos conceitos de amor existem, tais como: "fogo que arde sem se ver; ferida que dói e não se sente; calmaria, tranquilidade, paz..." Bem, se trabalharmos com "o fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente..." É complicado porque dá a idéia de que o amor é insensível, como uma hanseníase, doença que oculta a dor, em que há a perda da sensibilidade,... Será isto o amor? Acredito que não. Amar não é ficar entorpecido, inconsciente, sem sensibilidade.... Amar é a consciência, ou a tomada de consciência de um outro que é tão pleno quanto você que ama.
                     Consciência, estar ciente dessa existência pressupõe a vida, pois, ao tomarmos consciência de algo, alguém ou alguma coisa, ela passam a tornar-se presente, materializar-se, mostrar-se... Então, pode-se dizer que Amar alguém é ter a consciência da existência deste alguém, que passa a ser e se fazer presente na sua mente, no seu ser simbólico e também físico, porque sente-se o toque, sente-se o perfume, sente-se a respiração, sente-se todas as manifestações da vida que emerge e ganha corpo no encontro físico ou apenas não- físico, mas físico pelas sensações que se experimenta.   
                        NOSSA!!! E, no relacionamento mais intimo com alguém, em que o Amor deveria prevalecer, pois a consciência nos torna livres, já que somos livres não por fazermos o que queremos, mas por termos a consciência de que temos escolhas e que a cada escolha feita optamos por assumir todas as responsabilidades que ela trás. Assim, estar com o outro que se ama, é vê-lo, ter a consciência deste outro, de suas qualidades e defeitos, mas ainda assim, querer, desejar estar com, partilhar de sua vida com, estar-se preso, comprometido, por vontade própria. Desejar vivenciar uma vida a dois, requer negociações, que ora um ceda aqui e o outro acolá, já que são seres humanos plenos e os desejos se pluralizam neste sentido, então, o querer estar com enquanto expressão do amor é maior que o EU, pois passa-se naquele momento, ao conhecimento, a consciência do NÓS. Duas pessoas ao partilharem de suas vidas e reafirmarem suas existências todos os dias pela consciência um do outro, denominada Amor.
                       E, o Amor no sentido mais pleno, extensivo, não apenas a relacionamentos mais intimos, mas ao outro, em especial que não gosto tanto... Bem, este amor incondicional, mostra-nos a existência ou tomada de consciência da existência do outro, no sentido mais amplo, pois, tomo consciência de sua existência e de sua simpatia ou antipatia, tomo consciência que temos semelhanças ou que somos diferentes, e, que as diferenças são apenas diferenças, nem melhores, nem piores apenas diferenças... Acredito que do respeito incondicional ao outro emana o Amor, ou o sentido maior do Amor.
                      Assim, Cristo não julgou, apenas nos ensinou que vivemos em um mundo plural, com idéias, valores, crenças plurais em que o Amor é real, a necessidade de tomarmos consciência não apenas da nossa existência, mas da dos demais seres vivos, faz com que ampliemos o olhar do EU para o mundo, o cosmos, os múltiplos NÓS, conforme supracitado, auto-percebendo-se como a VERDADE que liberta, de que não estamos sozinhos, e nem somos sozinhos, mas estamos em grupo, mesmo que os membros deste não se conheçam, todos  pertencemos a mesma TERRA, o CAMINHO, porque Cristo mostra que a partir do momento em que você tem o Amor, ou a consciência de si e do outro, as escolhas de vida pautam-se ou deveriam pautar-se no respeito, nas escolhas conscientes, no exercício da liberdade, que somente é possível, como vimos, através da consciência. E, por fim, a VIDA, vida que é mais do que a matéria, Vida que se multiplica na infinidade de conexões espirituais que fazemos ao longo das existências. Encontros, que ganham dimensões maiores do que apenas, no caso de relacionamentos mais intímos, fisicos... Pois, o desejo é o que não se tem e quando se tem ele desaparece.. e o Amor é perene, como um rio farto, limpo, translúcido, forte e calmo ao mesmo tempo... Enfim, encontro de Almas é maravilhoso!!!
                      Portanto, o Natal, tem um sentido mágico por nos mostrar o AMOR de Deus, a tomada de consciência de Deus sobre cada um de nós, e da necessidade que Ele sentiu, de nos ajudar, através de Cristo a tomarmos consciência da nossa existência terrena, do que fazemos ou estamos fazendo com ela e com todos os demais seres vivos, viventes e habitantes desta grande casa que temos que é a mãe Terra. Tomarmos consciência de que eu tenho que me amar primeiro, eu tenho que primeiro ter consciência de mim, ou sobre mim, para depois ter a consciência do outro, perceber e respeitar o outro, como me percebo e me respeito. Como Cristo diz:"Um mandamento vos dou, amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado"....
                            Assim, sendo DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL!!!!! E, que a cada dia, estejamos vivenciando o Natal em nossas vidas!!! PAZ E BEM A TODOS!!!
                                                                                                       (Marcia Adriana Lima de Oliveira)












domingo, 20 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO: UM OLHAR PLURAL E SENSÍVEL SOBRE O OUTRO

           A educação como diz o Paulo Freire, faz-se num processo dialógico, em que nesta troca, aprender a fala do outro é fundamental para que ambos possam participar juntos do processo de comunicação (WINKIN, 1998) e, consequentemente, a Educação seja concretizada.
            No Ensino Fundamental, momento em que a criança está no processo de assimilação das regras da escrita, e, do olhar o universo mais fragmentado, nas diversas disciplinas que irá cursar, com professores plurais faz-se necessário que cada professor (a) assuma o seu papel com amor, competência, responsabilidade, respeito e carinho; não apenas pela sua profissão, mas pelas crianças que estão na sua frente.
                Esta atitude respeitosa, dará a criança auto-confiança, o fará aprender, crescer. Cada criança tem um ritmo de aprendizado, então, as crianças que já sabem, não deveriam ser o foco exclusivo do docente que conduz o processo de aprendizado, mas, principalmente, aquelas com mais dificuldade, pois as que já sabem ou aprendem facilmente, o professor irá manter e expandir este conhecimento maravilhoso, contudo, quanto ao que tem dificuldade, poderá passar tarefas diferenciadas para complementar a da turma, estimulos, incentivos, enfim, uma injeção de animo constante que fará com que cada conquista seja valorizada. Afinal, o pequeno para nós, pode ser algo, extremamente importante para a criança, portanto, parabenizá-la por todas as conquistas, conforme dito é fundamental.
                    Como diz Georgina Quaresma Lustosa no seu livro O Educador Biocêntrico: quem é este sujeito? Deve-se olhar o outro na sua totalidade, e não apenas partes. Valorizar a Vida que emana do entusiasmo do aprendizado, das conquistas, da superação das dificuldades no caminho deste aprendizado é fundamental! E, no final, a avaliação passa a ser plural, valorizando não apenas o conteúdo trabalhado em sala, mas, a postura, a socialização, a criatividade, a interação, observando que os tímidos, também estão e fazem-se presentes na sua atenção ao que é dito, ao que fazem, a partir do sugerido em sala. 
                          Logo, avaliar não é apenas quantitativa, pontual, mas processual em que a frequência, os trabalhos realizados em sala e as atividades da escola realizadas em casa, as arguições nas aulas, o que cada um aprendeu e assim o demonstrou em vários âmbitos, enfim, o crescimento, tudo passa a ser avaliado, e a dimensão escrita desta, aparece apenas como mais uma, pois o que conta é o que a criança aprendeu neste processo, é a diferença que o (a) docente fez no seu comportamento, enfim, é isto o que vale. E, que com certeza é maior do que 0,1 uns décimos necessários para que a vitória plena seja sentida pela criança, mostrando que o seu esforço valeu muito muito a pena. 
                              É isso!! Precisamos de uma educação que tenha nos seus educadores olhares mais plurais e sensíveis a cada criança, pessoa com quem estão interagindo, fazendo valer a máxima de Paulo Freire que diz:"ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, a educação se faz mediada pelo meio". E, principalmente, não se participa da Educação sem AMOR, sem SENSIBILIDADE!!

                                       PAZ E BEM!!
                                                                                              (Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Obs.: Fotos tiradas por mim, Marcia Adriana, em que me encontro com momentos de aprendizado com meu filhão. Sendo que a idéia do pintar o chão com giz  colorido, foi da minha irmã que também é uma grande Educadora Biocêntrica!!

domingo, 6 de novembro de 2011

Intimidade ou não intimidade, o que desejo ter?

Já no século XVIII, conforme Louis Dumont, as pessoas começaram a ficar cada vez mais ensimesmadas, retraídas, preferindo a não intimidade, posto que o que desejavam era tudo cada vez mais para si. Um egoísmo exacerbado denominado individualismo. 
        Individualismo que separa as pessoas, colocando-as para se relacionarem não como pessoas, mas como pessoas e objetos. Coisificar o outro, ver o outro como mero objeto de prazer momentâneo ou duradouro, mas apenas prazer... Fez com que estas mesmas pessoas jamais se deleitassem com o prazer da intimidade.
    Séculos XIX e XX vem com duas abordagens o do não a intimidade, e o da transformação desta no olhar de Anthony Giddens, que chama cada uma das pessoas a repensarem suas relações, e, ao mesmo tempo compreender as mudanças na intimidade, no amor, na sexualidade, no erotismo.
      Giddens diz, no seu livro 'A transformação da intimidade. Sexualidade, amor e erotismo nas sociedades contemporâneas', que existe uma categoria chamada de 'relacionamento puro'; sendo que pureza aqui não significa ingenuidade, inocência, mas sim o retirarmos as amarras dos estereótipos acerca do ser amado como deus, ou deusa, como super herói ou mulher maravilha, e começarem a ver um ao outro como são, ou estão se tornando, seres humanos plenos com qualidades e defeitos. 
         O olhar o outro como ser humano pleno, dar mais segurança, conforto a ambos por saberem que não precisam mascarar o que não são e, por isso, irão se permitir amar e ser amado, de maneira tranquila, sem medos, receios de mostrar-se e ser rejeitado ou rejeitada.
         É interessante falar sobre a temática em questão, porque com o século XX e XXI, veio toda a enfase na contemporaneidade, na rapidez, na não-intimidade, na fluidez das emoções, na volatilidade dos sentimentos, enfim, na liquidez das relações. Bauman, foi um dos autores que mergulhando neste universo líquido escreveu a Modernidade líquida, o Medo liquido, o Amor liquido, o tempo liquido, enfim... Um retrato das relações que enfatizam a não intimidade.
           Contudo, o pensar no relacionamento puro, em que o casal caminhará lado a lado, partilhando  suas vidas, sonhos, tristezas e alegrias trás esperanças de que em um mundo tão grande como o nosso, ainda existem pessoas que desejam se envolver, sair juntas, conversar, trocar idéias, partilhar conquistas e se terem apoio mútuo  nas dificuldades, enfim, pessoas que queiram a intimidade, queiram permitir-se viver plenamente um relacionamento, colhendo frutos magníficos que será e que é o poder chamar cada um ao outro de companheiro, companheira, amigo, amiga, amor, tudo!! Tudo!!! Como já disse Fernando Pessoa: "Para ser inteiro, sê todo. Nada teu exagera ou exclui. Põe tudo o que tem no mínimo que fazes, assim em cada lago, a lua brilha, porque alta vive!!"
       Permitir-se e fazer com que dê certo o relacionamento, desejarem juntos que dê certo é MÁGICO!! Colocar-se de corpo e alma, plenamente!!! É um desafio grande, mas quem se arrisca, pode lograr êxito e conseguir um parceiro ou parceira que romperam, certamente, as barreiras do tempo e do espaço, ressaltando que a intimidade é um encontro de almas, expresso e manifesto no corpo, templo magnífico do seu Eu mais profundo, do que És!!
            E, então, resta apenas saber o que cada um quer de si: "Intimidade ou não intimidade, o que desejo ter? E você o que deseja, quer?" (Marcia Adriana L. de Oliveira)
                       

sábado, 10 de setembro de 2011

Coisas de menino e coisas de menina....


           Ao chegar em um aniversário de uma princesinha, presenciei uma cena muito interessante que é uma das linhas de pesquisa no campo da antropologia e da sociologia, a questão de gênero. O fato foi que a princesinha foi presentada com a casa de brinquedos da Polly, e ela logo quis abrir, montar, vê-la fora da caixa. Então, a que a presenteou, pôs- se abrir e montar, e, meu filho, prontamente, estava ao lado, e pegou as peças para ajudar na montagem, como se fosse um quebra-cabeça. Neste interim, o filho da que a presenteou passou e perguntei:" Você não vai ajudar a montar também?" E, ele, prontamente, me respondeu:"Isto não é coisa para homem". Então, falei:"e você não terá no futuro uma casa? E não participará nas atividades de sua casa?". E, ele continuando o diálogo disse:"Não, vou ser jogador de futebol e não terei tempo para isto".
             Com estas questões, outras vieram e, na medida, do possível, fomos tentando sucitar reflexões e olhares para o que aquele menino não havia pensado ainda... E, mais que nunca percebi uma continuidade, na postura do garoto, que reproduz valores que lhe foi passado pelos seus pais, reafirmando a supramacia de gênero, na qual a rua fica para o homem e a casa para a mulher, e a mudança, na postura de meu filho, que não se incomoda em montar uma casa de boneca para sua amiga, ou até mesmo brincar, posto que em nossa casa, trabalhamos a cooperação, os cuidados conjuntos com a casa, arrumar, manter arrumado, organizar as coisas e, ele cooperar para esta organização, pois, um dia quando ele precisar, saberá fazer e contribuirá com sua companheira. E, com certeza estes cuidados jamais farão dele menos homem, mas sim farão dele um homem que também cuida, ajuda, coopera sem problema.
                Esta situação me remeteu as alterações nos brinquedos em decorrência das modificações nas relações de gênero, afinal, o brincar, o lúdico, a brincadeira é uma ponte no processo de socialização do grupo, que faz com que a criança aproxime-se do universo adulto. Por exemplo, na minha infância, as bonecas eram princesas, mães... Hoje, 2011, as bonecas são dentistas, advogadas, professoras, médicas, enfim, tem uma profissão, uma graduação. Elas dirigem, tem carros, pista de corrida, são pilotas, enfim, refletem as nossas conquistas como mulheres que passaram por várias situações como o desquite na década de 60, o divórcio  em 1977/78, a alteração no conceito de família na Constituição de 88, que dentre outros feitos garantiu a nossa cidadania, dizendo que "homens e mulheres tem os mesmos direitos tanto dentro quanto fora do âmbito doméstico", as mudanças quanto aos casamentos que antes da década de 80 eram mais cedos 17 a 20 anos no máximo, e hoje vão sendo realizados a partir dos 30 anos até o infinito da idade.
                   Quanto aos homens também observamos as mudanças, pois, tem-se que com o divórcio, começam a surgir as famílias monoparentais, em que alguns ficam com os filhos e aprenderam a cuidar, a olhar para o âmbito doméstico, ir as compras, trocar fraldas, fazerem cursos de culinária, participar das reuniões de pais, acompanhar os filhos na escola, enfim, engajarem-se no universo que era considerado apenas feminino, o que ampliou o olhar e a dimensão de homem.
                     Neste sentido, tanto homens quanto mulheres são diferentes quanto aos hormônios, a genitália (SALVE POR ISSO!!!), mas iguais em direitos e deveres, ninguém caminhando na frente ou atrás, exceto se a cultura do grupo assim o impuser, mas caminhando lado a lado.
                       Assim, percebe-se que as questões de gênero, continuam a nortear as nossas relações sociais, interpessoais, sejam dentro ou fora do âmbito familiar, sendo reproduzidas valorizando a hieraquia de gêneros citada por Richard Parker em seu livro, Corpos, prazeres e paixões, ou valorizando o relacionamento puro (companheirismo) presente no pensamento de Anthony Giddens no seu livro A transformação da Intimidade; sexualidade, amor e erotismo nas sociedades contemporâneas. Mostrando aqui, o que pesquisei na graduação e no mestrado as continuidades e mudanças nas relações familiais, a partir dos olhares que temos e repassamos aos nossos filhos acerca do que consideramos coisa de menino e coisa de menina.
                                                                  (Marcia Adriana Lima de Oliveira)
                     
                     

sábado, 3 de setembro de 2011

O Amor, a Razão e o Medo...

O Amor é algo que deva ser sentido com profundidade, suavidade, leveza.... Não com medo..
O  Medo chega e toma conta do coração, da mente de quem se pega amando alguém que dizia que "não poderia amar, porque hoje se estava junto, mas amanhã poderia não estar", e, o coração que foi conhecendo aquele ser maravilhoso, mesmo ciente dos riscos, e, exatamente, pela consciência dos riscos passou a ficar cego pela razão...
A razão que dizia:" Eu não vou sofrer, não vou me envolver"... Já estava sofrendo e extremamente envolvida..
Um dia o Amor perguntou a Razão:"Você acha que devo seguir meu sonho e viajar, ou ficar?" A razão, com medo de deixar o coração falar e dizer:" NOSSA!! Agora que começamos a nos conhecer melhor, não vá, fique comigo, eu te amo..."Não, não disse nada disso, muito pelo contrário, colocou-se no muro dizendo:"Escolha, apenas você pode fazer esta escolha". O Amor, triste pela resposta, levantou e saiu, deixando a razão chorosa, pois, não era o que ela gostaria de ter dito...
O deixar de dizer, de fazer... Nossa!! São coisas que atormentam a razão, quando ela deixa o coração falar sobre o Amor... O Amor que parecia correspondido, temeroso, pelas pressões, mas parecia correspondido... através dos momentos em que estiveram juntos, das conversas, do entendimento, do envolvimento, do desejo, do toque, da suavidade, do sorriso, do sentir-se bem na presença do outro, do partilhar de suas vidas, enfim... A razão, conheceu sim o Amor...
Pena que o medo de perder, de não se vê mais com o Amor, de não mais partilhar de sua vida com ele, foi tão forte, que a razão passou a usar "Eu vou fazer", mais do que "Nós vamos fazer"... E o Amor, foi ficando cada vez mais triste, sentindo que a razão era insensivel a sua dor, a suas dúvidas, a sua angústia, e que a razão era egoista por só pensar nela. Que Pena!! O Amor, não percebeu, que as suas palavras primeiras de "hoje estamos juntos, mas amanhã podemos não estar" foi quem fez com que o amor que a Razão sentia pelo Amor, fosse colocado de lado,  fazendo com que o medo predominasse...
Até que um dia, chegou o Argumento, que dizia:"Deixa o Amor em paz, afinal, ele já ama outra pessoa mesmo" "Deixe-o ir", e a Razão disse:"Tudo bem, se é para o bem do Amor, se ele ficará feliz, então, deixo-o ir". E, o Amor se foi, casou-se, separou-se, casou-se novamente, enfim,...segue amando!! E a Razão, após anos a fio, continua a racionalizar emoções, sentimentos, colocar-se em uma redoma, mas que ilusão!!, o não viver o amor, e outros amores.... entristeceram a razão, que fica feliz com suas outras conquistas e crescimento profissional, racional, intelectual,... mas o emocional... ficou com o Amor... o amor... que um dia... deixou...
Mas, em seus momentos de emoção, quando deixa falar o coração, lembra-se de que um dia amou e foi, ou achou que foi amada pelo Amor. A reciprocidade é o sentimento que devolve a Razão momentos de Felicidade!!
E, como diz Vinícius de Moraes, no Soneto de Fidelidade: "O Amor não é infinito posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure". (Marcia Adriana Lima de Oliveira)


domingo, 28 de agosto de 2011

A VIDA FLUI...



A VIDA FLUI...


               Assisti a um filme chamado "Simplesmente Complicado" e, ao final, a mensagem foi, não vale a pena viver no passado, pois a Vida Flui... Ela segue o seu curso como o mar, como o rio para chegar ao mar, misturar-se ao oceano....
                Como já dizia Heráclito:"o homem não banha no mesmo rio duas vezes, porque nem ele é o mesmo e nem a água o é". Este movimento dialético que animou tantos pensadores, dentre eles Karl Marx, que ressaltou  os quatro princípios fundamentais da dialética: "tudo está interrelacionado; tudo se transforma; a transformação é qualitativa e a luta dos contrários".
                Uma bióloga, geneticista maravilhosa, disse que os mistérios sobre o retardar o envelhecimento já havia sido descoberto, mas que junto com a descoberta, vinham várias doenças, porque, a célula foi feita para morrer, ou seja, não nascemos, realmente, para a imortalidade neste plano...
                E, com estes três pensamentos acima, sobre o filme, os pensadores e a fala da geneticista precebe-se que o fluxo da vida é, como todos sabem, certo, pois a Vida flui sempre, contudo, ao nascermos e entrarmos no barco, vamos guiando o fluxo ou apressando ou retardando - o, cientes de que jamais será evitado, ou negando oportunidades maravilhosas de parar e aproveitar momentos únicos, ou ainda,  escolher sermos felizes, mesmo que apenas por instantes, ou ainda por toda a vida, com tudo o que ela trás...
                Ter consciência destas teorias da dialética, do movimento, dos aprendizados que negam ou questionam as "verdades de outrora" que passam a ser outras a cada momento, num movimento maravilhosos de continuidade e mudança, isto é fato. Contudo, por que mesmo sabendo disso nos prendemos a passados, sejam fatos, momentos, amores, vivênci
as, emoções que, por vezes, são prejudiciais ao momento atual, por nos prender no meio do rio com âncoras do passado que nos impedem de continuarmos a fluir, ir com as águas do rio? E, nesta escolha, vamos ficando presos no mesmo lugar de memórias, apenas vendo  novas águas passarem e tocarem o casco do barco, mas não nos permitimos sequer ver como são, o que trazem, ou colocarmos o pé na água... As seguranças... As certezas que construimos, e que podem ser desconstruidas e reconstruidas, ou não construidas, mas substituidas por outras conforme o contexto que se está vivenciando neste momento...
                  Escolhas? Escolher ser feliz ou maturar tristeza... Será isto uma escolha? Romper estes grilhões que formam a corrente que segura a âncora e deixar o barco continuar o seu curso é uma atitude corajosa que todos podemos ter, conforme o estimulo que temos com relação ao que, realmente, queremos, ao que vemos enquanto Vida, Viver, Felicidade, Amor, Acolhida, Superação, Vitoria e Conquista!!
                  Assim, temos que pensar sempre na nossa vida, no que estamos fazendo, nas implicações e consequências, no que queremos de verdade ser, fazer e darmos o primeiro passo para que estes sonhos se materializem, pois como diz na Bíblia:"tudo é possivel ao que crê". Ao que acrescento, tudo é possivel ao que crê e faz algo para materializar o sonho, vai a luta e não cruza os braços, mas constrói e se alegra com as escolhas. Mesmo as tristes, pois estas trouxeram novos aprendizados..
                  Vivermos como eternos aprendizes, reconhecendo a imprevisibilidade da vida!! Simplesmente complicada, mas magnífica!!! Dificil, mas jamais impossível!!
                     PAZ  E BEM!
                     (Marcia Adriana Lima de Oliveira)