Olhares sócio-antropológicos sobre Filmes, textos, artigos, livros, documentários,..

Amo cinema e vejo nos filmes inúmeras oportunidades de refletirmos sobre a vida, sobre temas diversos que nos tocam de maneiras diferentes, a partir de nossas grades de leitura e nossas vivências.
Assim, faremos neste primeiro momento reflexões sobre filmes, documentários que assisti e partilhei com meus colegas de sala (educandos) e outros que assisti em momentos de lazer criativo e produtivo. E, em um segundo momento farei comentários de livros, textos, artigos, enfim, o que li e como apreendi o lido, e os frutos de minha vivência, do meu dia-a-dia, do meu vivido também. Tudo isto será partilhado aqui com cada um de vocês!!

Boa Leitura!!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Evangelho Segundo Lucas e a Declaração dos Direitos Humanos: reflexões bioéticas

Evangelho Segundo Lucas e a Declaração dos Direitos Humanos: reflexões bioéticas
Marcia Adriana Lima de Oliveira•; Luiz Ayrton Santos Júnior ••
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• Professora. Educadora da UESPI/ Campus Clóvis Moura. Cientista Social- UFPI. Mestra em Antropologia - UFPE. Especialista em Bioética e Direitos Humanos - ANIS, ICF, SBB-PI; Especialista em Docência do Ensino Superior.
•• Professor da UESPI/ Centro de Ciências da Sáude. Médico.Especialista em Bioética e Direitos Humanos - ANIS, ICF, SBB-PI
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"Na base de todos os sistemas de crenças e de todos os cultos deve, necessariamente, haver certo número de representações fundamentais e de atitudes rituais que, apesar da diversidade de formas que umas e outras puderam assumir, apresentem, por toda a parte, o mesmo significado objetivo e também por toda a parte, exerçam as mesmas funções" (DURKHEIM)


         E, com relação às funções da Religião mencionadas por Émile Durkheim (1989), conforme supracitado, este as descreve como eminentemente sociais. Para o referido autor a religião ajuda a manter a coesão nos grupos, fortalecendo os laços entre seus membros, pois na visão Durkheimiana, a sociedade, o grupo deve sempre se sobrepor aos pensamentos individuais, e, para garantir a ordem em meio a diversidade cultural, a sociedade constrói sua moral (cultura não-material), manifesta através dos fatos sociais.
              E, considerando a religião como um fato social, para Durkheim (1989, p.79) esta foi conceituada como um sistema solidário de crenças seguintes e de práticas relativas a coisas sagradas, ou seja, separadas, proibidas; crenças e práticas que unem na mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os que a ela aderem. (...) A religião é coisa eminentemente coletiva.
              Assim, para ilustrar como este sistema solidário de crenças foi retratado por Lucas na Bíblia (2006), fez-se uma pesquisa bibliográfica, a partir de uma abordagem comparativa entre o que Lucas narrou sobre o pensamento de Cristo, utilizando-se da religião Cristã e da Declaração dos Direitos Humanos. E, teve-se como objetivo geral verificar as modificações na moral cristã após a chegada de Cristo, e, quais as relações entre esta moral e a Declaração dos Direitos Humanos.
                Assim, em meio a um contexto histórico A.C. patriárquico, virilocal, cuja casa (casta) era atribuída pela linhagem do esposo, tem-se que em Lucas (Lc 1, 5-25) quando inicia sua narrativa sobre a vida de Cristo, primeiro fala do pai de João Batista, que era Sacerdote, cujo filho veio para romper algumas tradições como a manutenção do nome da família, posto que não havia nenhum João na linhagem de Zacarias. Contudo, segue como profeta, dando continuidade ao trabalho do pai.
                E, para o nascimento de João, seu pai por duvidar do anjo que veio anunciar sua chegada, recebe uma punição, a perda da voz (Lc 1, 20), que retorna mediante a confirmação do nome do filho no ato da consagração deste no templo.
                 Deus aparece nesta e em outras passagens como ser impiedoso, que não gosta de ser contestado, mas que exige obediência a sua palavra incondicionalmente, ou seja, não é para ser questionado, mas sim vivido.
              Quanto a Maria, não houve questionamentos, ela aceitou as determinações de Deus, mas antes, tanto em um caso quanto no outro, antes que as ações fossem realizadas havia o pedido de confirmação, o pedido de consentimento aos sujeitos participantes para que fosse realizado o que estava escrito, ou seja, o mesmo Deus que se mostra impiedoso, e não quer ser contestado, também respeita o livre-arbítrio, jamais fazendo o que os sujeitos assim não o desejassem.
             Consentimento este que será valorizado e obrigatório em meados do século XX, mas especificamente após a segunda guerra mundial, e, no século XXI, na Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (2005). Nesta, no Artigo 6, tem-se a fala sobre o consentimento, a importância dos sujeitos participantes de qualquer pesquisa, tomarem conhecimento do que acontecerá, riscos e benefícios, enfim colocarem-nos a par da sua participação nesta.
                 Maria ao aceitar conceber um filho, sem ter conhecido homem algum, inova na época o que somente séculos depois foi realizado e denominado inseminação artificial.  Contudo, não teve com o que se preocupar pois, a linhagem de seu filho estaria assegurada, já que conforme Lucas (1, 31-33) o anjo lhe diz:
E eis que em teu ventre conceberás e darás a luz um filho, e pôr-lhe- ás o nome Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
                   Como a linhagem era dada pelo marido, José, o pai social de Cristo, que adotou esta criança como sua, deu-lhe o nome de família, e ensinou-o seu ofício de Carpinteiro. Ressaltando aqui, um dos casos de adoção registrados na Bíblia, e que vem mostrar que família é mais que laços de consangüinidade, mas também laços de descendência por afinidade (OLIVEIRA, 2003). E, este homem José, era da linhagem de Adão, ou seja, de Deus.
                   No século XXI, na Declaração dos Direitos Humanos, tem-se no Artigo III, que todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e á segurança pessoal, ou seja, A.C a milênios atrás em um universo com outra moral, antes de Cristo chegar, foi providenciado esta segurança, através da escolha dos pais, da família. Sem, contudo ferir muito as leis vigentes á época, pois manteve-se a tradição quanto a patrilinearidade, através da escolha do pai social ter sido em decorrência deste ser da mesma linhagem do genitor.
                     Antes que Cristo pudesse falar por si, ou dar inicio a sua missão, João Batista começava a lançar sementes de questionamentos sobre a ordem pré-estabelecida, dizendo: "quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira. (...) E uns soldados o interrogara também dizendo: E nós o que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal, nem defraudes e contentai-vos com o vosso soldo" (Lc 3, 11 – 14).
                      Nesta passagem tem-se inicio o que, neste século XXI na Declaração dos Direitos Humanos (1948) foi escrito no Artigo V: “ninguém será submetido a tortura nem tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”, ou seja, há milênios atrás já começava-se a pensar na dignidade humana, pois, segundo reza o Artigo I desta Declaração: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade".
                     Quando Cristo, já adulto assume seu trabalho de propagador e cumpridor das boas novas a que João Batista anunciava em Lucas (6, 27-31): “e como vós quereis que os Homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós também”.
                     Cristo modifica o foco da punição para o perdão, do ódio para o amor, a tolerância, a caridade (Co 13). Contudo, apesar desta mudança no olhar o Humano, como toda cultura pré-estabelecida a mudança é processual e, em meio a cultura da guerra, da dominação, estas mensagens não foram ouvidas ou assimiladas. Culminando no relato em Lucas, da crucificação de Cristo, ou seja, tudo o que é diferente, o que chama o grupo a uma reflexão sobre suas práticas, pode exercer ou um fascínio, ou uma repulsa. O refutar e destruir como sinal de que a ordem vigente deve ser mantida, ferindo o livre-arbítrio, valorizando um grupo, ou uma espécie, em detrimento dos (as) demais, foi conceituado como Especismo, um termo que surgiu em 1970, por Richard D. Ryder, e utilizado por ele, pela primeira vez em seu livro  “Vítimas da Ciência” publicado em 1975, e republicado através da tradução de Ana T. Fellipe na Revista Pensata Animal. Neste, Ryder (2008) conceitua especismo como uma forma de discriminação abrangente praticada pelo ser humano contra outras espécies. E, fazendo uma ponte com o racismo, este  diz que ambas são formas de preconceito baseadas na aparência.
                Em Lucas (12, 5-9) quando Jesus ao fazer uma pregação diz que o Ser humano, vale muito mais do que cinco passarinhos também usou de especismo, por preterir uma espécie em detrimento da outra. Novamente, na solicitude pela  vida humana, Cristo disse que:
"Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mas é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa, nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos por outras? Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã  é lançada  no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?" (Lc 12, 22-32).
        Apesar do trabalho de Cristo para a transformação da moral da época de repressora, para apaziguadora, de guerreira, para pacífica, de vingança para o perdão, o amor entre os seres humanos, contemplados, inclusive, apesar dos milênios de existência, no século XXI (2009) através das Declarações tanto dos Direitos Humanos quanto Universal sobre Bioética e  Direitos Humanos, no que se refere ao reconhecimento das outras formas de vida, não apenas para servir ao Humano, mas como irmãos deste humano, conforme cantou em Irmão Sol, Irmã Lua São Francisco de Assis, não foi por Cristo contemplados. Pois, conforme supracitado o Ser Humano, ou a espécie Humana com ele adquiriu o estatuto de Humanos Plenos, mais preciosos do que os demais seres.
               Porém, em virtude do que Cristo se propôs em um curto espaço de tempo, a tentativa de despertar no outro a sua humanidade, sensibilizá-lo para o respeito a si, ao outro, outros iguais, para uma época guerreira, competitiva, cujo lema era “olho por olho, dente por dente”, vingativa; foi o ponto de partida para as demais percepções sobre a melhoria não apenas nas relações sociais, mas no e para o surgimento de um Humano Biocêntrico.        

   

REFERÊNCIAS
Declaração dos Direitos Humanos (1948)
Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humano (19 de outubro de 2005 – 33ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO.
DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989
OLIVEIRA, Márcia Adriana L. Separações e divórcios: elementos que fazem parte da dinâmica familiar ou elementos de desestruturação destas? In: Revista CEUT. Ano III. Nº 1(2003) Teresina- PI: CEUT- FCHJT, 2003, pp. 106 - 132
RYDER, Richard. Vítimas da Ciência In: Revista Pensata Animal. Ano II. Nº16 (2008), pp. 1-13 disponível no site
http: //www.sentiens.net/central/PA_ACD_richardryder_16.pdf, acessado em 07 de julho de 2009
Velho e Novo Testamento. 6ª Ed. São Paulo: King’s Cross Publicações. 2006   

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

FLOR DO DESERTO: REFLEXÕES ANTROPOLÓGICAS E BIOÉTICAS

        Sabem, hoje assisti ao filme FLOR DO DESERTO, que retrata a biografia de Warris, uma somáliana que rompendo com a cultura pré-estabelecida, resolve dizer não a um casamento arranjado e, desejando outra vida para seu irmão, para si, ela foje. Neste interim, ela passa por muitas dificuldades, mas consegue vencer, através da Fé, do trabalho, da dignidade e honra e dos amigos que fez nesta trajetória. 
         Mas, o que me chamou a atenção no filme, foi quando ela relatou a circuncisão ao qual foi submetida aos três anos de idade... Narrando que aquele momento foi o  que mudou a sua vida. Ela explica que o ritual é praticado por considerarem o que está entre as pernas das mulheres algo impuro, e que, como prova de virgindade e honra, este ritual deve ser realizado... 
            Contudo, no fina do filmel, ela diz que as irmãs não resistiram, como inúmeras mulheres africanas que morrem pela prática realizada. E, clama a todos uma mudança no conceito de mulher, rever o significado de ser mulher, para que esta não seja vista como algo impuro, ruim, mas alguém que pode sim, contribuir com o seu país, trabalhar, estudar, enfim, construir uma vida e engrandecer, pelo trabalho e conhecimento, o lugar de onde é, o local onde está, sempre com dignidade, honra, liberdade. 
          Para ela todas as mulheres eram circuncidadas, até compreender que não era assim, que existem outras culturas que não fazem da mesma maneira, e a partir da consciência da diferença, pois ninguém questiona o igual; ela escolhe, mesmo sabendo que poderia ser rejeitada pelo seu grupo, falar em nome das crianças que não podem. Aqui vemos uma questão Bioética, pois como interferir na cultura do grupo? A bioética é o respeito a todos os seres vivos, o respeito a diversidade, e o diálogo respeitoso nesta diversidade. Então, como lidar com esta questão?
            E, aqui, entra a Antropologia, ao meu ver, pois, realmente, não podemos entrar no grupo e tentar mudá-lo, tomando como padrão a nossa cultura, pois estariamos sendo etnocêntricos. Mas, ao mesmo tempo, quando não é o olhar do de fora que diz que isto é errado, mas o de dentro, o nativo que percebe que existem outras maneiras de ser, então, a escolha da mudança, vem com toda força, de maneira consciente, pois, ela poderia conquistar seu lugar ao sol e calar-se, mas não! Ela optou, mesmo sabendo da possível rejeição do seu grupo, falar pelas crianças que não podem, solicitar mudanças culturais no conceito do Ser Mulher, pois, através da mudança no conceito, muda-se a prática da circuncisão. Logo, isto é possível!!
               A mudança somente acontece, conforme Hoebel e Frost, se há necessidade de mudança. Ninguém muda, absolutamente nada, se este nada não o incomodar, não tocar bastante a ponto de promover uma mudança. Então, a cultura não é herdada geneticamente e nem é imutável, conforme Durkheim, "não é da natureza do conceito mudar, mas muda quando há necessidade". Assim, a necessidade de mudança foi manifesta por um membro do grupo, resta saber se o grupo se sensibilizou para começar a modificar a prática... Mas, acredito que "uma andorinha só não faz verão, mas anuncia sempre que o mesmo está chegando", o que vai tornando mais forte a idéia de mudança!!
                Paz e Bem
                                                      (Marcia Adriana Lima de Oliveira)
               


 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sexo e Amor


Foto: Marcia Adriana
        Muitos como a Rita Lee, tentaram fazer uma diferenciação entre sexo e amor, mostrando que são diferentes. Contudo, aqui pretendo fazer uma reflexão sobre uma complementariedade, bem vejamos...
         Quando você é uma pessoa que já teve uma relação marital com alguém, depois, separam-se, tem filhos ou não,  os olhares dos outros são não quanto a pessoa incrivel que és, as conquistas, as descobertas, o que está fazendo ou não da vida, no trabalho, com os filhos, enfim, as maravilhas aprendida ao longo dos anos e a cada segundo; mas, quanto a sua vida sexual, se está ativa ou não... Ora, para muitos fazer sexo é algo banal, corriqueiro, deitar-se com alguém é simples, pois, o que desejam é a satisfação imediata de um prazer, cada um sendo um objeto de prazer para  o outro, e ao acabar o momento, vem o vazio, ou a sensação de mais uma conquista. Porém, para outros, aos quais me integro, sexo, pura e simplesmente sexo, é vazio, pois, quando atrelado ao sentimento que se tem um pelo outro, NOSSA!! É outra dimensão, possui outros significados, que vão além da dimensão física, ocorrendo naquele momento encontro de almas, partilhas de um ser completo pleno, com outro ser completo pleno que mergulham no universo afetivo um do outro. Pessoas que  se dispõem a explorar este universo com cautela, respeitando limites, descobrindo zonas e regiões de prazer um do outro, trocando caricias, tocando com um carinho e amor enorme o corpo um do outro, cujo desejo, vai ganhando outras dimensões de cheio, de grandioso, de magnificamente maravilhoso!!Pois, um quer ser tocado pelo outro e vai sinalizando onde o outro pode tocar, como tocar, enfim, participando de um processo de comunicação fantástico, como diz, Ray Birdwistell,"ninguém comunica a ninguém, as pessoas participam umas com as outras do processo de comunicação", que segundo Winkin é orquestral, pois envolve gestos, e palavras, silêncio e música.
           Assim, para quem quer participar de um processo de comunicação com o outro, de desnudamento, não apenas físico, mas alma, qualquer desejo, não é motivo para fazer sexo, pois o que se busca é algo muito maior, que dura mais do que alguns segundos ou minutos,... É mais intenso, pois busca-se um companheiro para dividir a vida, dividir a si mesmo, dividir sentimentos, sonhos, desejos, realizações, alegrias, tristezas, comungar, e não apenas pontuar e aumentar momentos de carencia afetiva, através de qualquer transa, de qualquer encontro que não vá durar...
               É sabido que o tempo é uma construção socio-cultural, mas a dimensão e intensidade do encontro é medida pelo que sinto, pelo significado atribuido e pelas marcas no corpo físico e simbólico que irão ser guardadas ad infinitum... Por isso, estar com o outro intimamente, não é brincadeira, não é algo banal, não é mera satisfação momentanea... Mas, é um momento que se desdobrará em outros momentos de descobertas, dialogos corporais que irão aumentar a intimidade e fortalecerão a relação. Enfim, será o sexo como complemento do amor, e não a redução do amor ao sexo, na fala banalizada do "vamos fazer amor", quando as pessoas não sabem muitas vezes e jamais sentiram até aqui o que é realmente AMAR alguém, a começar por si mesmas. 
             Por isso, no AMOR, sentido, vivido, construido, porque amor não é, mas está sempre em processo de construção o erotismo, trás o prazer, faz aflorar o desejo, mas é o AMOR que fará com que o respeito que você sente por si mesma, ou por si mesmo, diga se vale ou não a pena ceder... E neste, momento, a pergunta que deve ser feita é: "O que quero desta relação?" "E, o que você quer?". Bem, se coincidir, ótimo, mas se não, é melhor tomar um bom banho, esfriar o corpo e seguir a vida, antes de um momento que deixará marcas não tão agradáveis, vazias, em cada um. Pois, mexer com o outro, com o sentimento de alguém é muito sério. 
                     Por isso, ao longo destes quase quatorze anos, prefiro continuar sozinha, a profanar o meu templo que é o meu corpo, com uma ou umas transas sem AMOR. Como diz Novalis, citado por Jean Yves Leloup, no seu livro O corpo e seus símbolos: "Lembre-se de que quando tocamos um corpo, estamos tocando um templo". E ao tocar este templo, este corpo, não estamos tocando apenas um corpo físico anatômico, mas um corpo de memórias, em que como diz Leloup, todas as nossas andanças foram registradas, todos os nosso medos, receios, todas as nossas vivências estão inscritas neste corpo, e assim tocamos corpos (corpo religioso, corpo social, cultural, psiquico,...) Daí, a nossa responsabilidade ao estarmos com um outro, ou escolhermos alguém para participar do processo de comunicação, mantendo uma relação dialógica; pois, no AMOR, não é apenas o momento, mas todas as vivências até aqui, que vão cristalizando momentos a dois, e fazendo com que o tempo seja sempre redimensionado, para que cada encontro seja único, maravilhosamente único com a pessoa com quem você está, seja no primeiro encontro, seja quinze anos ou vinte anos ou cinquenta ou mais anos depois do primeiro encontro... O olhar para a pessoa, claro, vai mudando, mas como um magnifico vinho, vai ficando cada vez mais e mais agradavel, muito e muito melhor, porque o sexo, entra como um complemento que vai sendo modificado no encontro de almas, que estas pessoas que decidiram partilhar suas vidas, casarem-se, viverem juntas, renovam a cada dia de suas vidas, fortalecendo a amizade existente entre elas; fazendo com que ao deitar e ao acordar e olharem-se, as pessoas agradeçam ao Ser SUPREMO, ao Ser Superior, a Deus, por terem encontrado uma a outra, e decidido não desperdiçar a oportunidade de se conhecerem, de serem felizes. 
             Lembrando aqui, que a felicidade é uma construção feita em terrenos sólidos, no enfrentamento em conjunto do casal das dificuldades que aparecerem, apareceram e aparecerão em suas vidas, sempre um ao lado do outro, amando-se e respeitando-se; e a cada dia querendo estar mais e mais um ao lado do outro.
                  PAZ E BEM
               (Marcia Adriana Lima de Oliveira)



              






sábado, 24 de dezembro de 2011

PARTILHAS NATALINAS: REFLEXÕES SOBRE O SENTIDO DO NATAL!!

        Chegamos ao término de mais um ano. Contudo, antes do término, propriamente dito, no início de dezembro, os Cristãos começam a vivenciar o Advento, "anunciando a chegada de Deus", na forma de um menino que foi chamado de Jesus Cristo.
              Cristo nasceu e foi conquistando o mundo, não através da força, mas através da palavra e de todas as suas ações e, nestas, o amor que foi incondicional. Amor manifesto aos pais, na forma de respeito, consideração; manifesto a Maria Madalena, em que independente do que ela fez anteriormente, Ele a perdoa; as crianças, idosos, enfim, a todos indistintamente. Deixando para nós o seu mandamnto maior:"Amai-vos uns  aos outros como eu vos tenho amado". E, a questão hoje é como tenho amado a mim, ao outro, aos outros a minha volta, então? O que é amor?
                 Muitos conceitos de amor existem, tais como: "fogo que arde sem se ver; ferida que dói e não se sente; calmaria, tranquilidade, paz..." Bem, se trabalharmos com "o fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente..." É complicado porque dá a idéia de que o amor é insensível, como uma hanseníase, doença que oculta a dor, em que há a perda da sensibilidade,... Será isto o amor? Acredito que não. Amar não é ficar entorpecido, inconsciente, sem sensibilidade.... Amar é a consciência, ou a tomada de consciência de um outro que é tão pleno quanto você que ama.
                     Consciência, estar ciente dessa existência pressupõe a vida, pois, ao tomarmos consciência de algo, alguém ou alguma coisa, ela passam a tornar-se presente, materializar-se, mostrar-se... Então, pode-se dizer que Amar alguém é ter a consciência da existência deste alguém, que passa a ser e se fazer presente na sua mente, no seu ser simbólico e também físico, porque sente-se o toque, sente-se o perfume, sente-se a respiração, sente-se todas as manifestações da vida que emerge e ganha corpo no encontro físico ou apenas não- físico, mas físico pelas sensações que se experimenta.   
                        NOSSA!!! E, no relacionamento mais intimo com alguém, em que o Amor deveria prevalecer, pois a consciência nos torna livres, já que somos livres não por fazermos o que queremos, mas por termos a consciência de que temos escolhas e que a cada escolha feita optamos por assumir todas as responsabilidades que ela trás. Assim, estar com o outro que se ama, é vê-lo, ter a consciência deste outro, de suas qualidades e defeitos, mas ainda assim, querer, desejar estar com, partilhar de sua vida com, estar-se preso, comprometido, por vontade própria. Desejar vivenciar uma vida a dois, requer negociações, que ora um ceda aqui e o outro acolá, já que são seres humanos plenos e os desejos se pluralizam neste sentido, então, o querer estar com enquanto expressão do amor é maior que o EU, pois passa-se naquele momento, ao conhecimento, a consciência do NÓS. Duas pessoas ao partilharem de suas vidas e reafirmarem suas existências todos os dias pela consciência um do outro, denominada Amor.
                       E, o Amor no sentido mais pleno, extensivo, não apenas a relacionamentos mais intimos, mas ao outro, em especial que não gosto tanto... Bem, este amor incondicional, mostra-nos a existência ou tomada de consciência da existência do outro, no sentido mais amplo, pois, tomo consciência de sua existência e de sua simpatia ou antipatia, tomo consciência que temos semelhanças ou que somos diferentes, e, que as diferenças são apenas diferenças, nem melhores, nem piores apenas diferenças... Acredito que do respeito incondicional ao outro emana o Amor, ou o sentido maior do Amor.
                      Assim, Cristo não julgou, apenas nos ensinou que vivemos em um mundo plural, com idéias, valores, crenças plurais em que o Amor é real, a necessidade de tomarmos consciência não apenas da nossa existência, mas da dos demais seres vivos, faz com que ampliemos o olhar do EU para o mundo, o cosmos, os múltiplos NÓS, conforme supracitado, auto-percebendo-se como a VERDADE que liberta, de que não estamos sozinhos, e nem somos sozinhos, mas estamos em grupo, mesmo que os membros deste não se conheçam, todos  pertencemos a mesma TERRA, o CAMINHO, porque Cristo mostra que a partir do momento em que você tem o Amor, ou a consciência de si e do outro, as escolhas de vida pautam-se ou deveriam pautar-se no respeito, nas escolhas conscientes, no exercício da liberdade, que somente é possível, como vimos, através da consciência. E, por fim, a VIDA, vida que é mais do que a matéria, Vida que se multiplica na infinidade de conexões espirituais que fazemos ao longo das existências. Encontros, que ganham dimensões maiores do que apenas, no caso de relacionamentos mais intímos, fisicos... Pois, o desejo é o que não se tem e quando se tem ele desaparece.. e o Amor é perene, como um rio farto, limpo, translúcido, forte e calmo ao mesmo tempo... Enfim, encontro de Almas é maravilhoso!!!
                      Portanto, o Natal, tem um sentido mágico por nos mostrar o AMOR de Deus, a tomada de consciência de Deus sobre cada um de nós, e da necessidade que Ele sentiu, de nos ajudar, através de Cristo a tomarmos consciência da nossa existência terrena, do que fazemos ou estamos fazendo com ela e com todos os demais seres vivos, viventes e habitantes desta grande casa que temos que é a mãe Terra. Tomarmos consciência de que eu tenho que me amar primeiro, eu tenho que primeiro ter consciência de mim, ou sobre mim, para depois ter a consciência do outro, perceber e respeitar o outro, como me percebo e me respeito. Como Cristo diz:"Um mandamento vos dou, amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado"....
                            Assim, sendo DESEJO A TODOS UM FELIZ NATAL!!!!! E, que a cada dia, estejamos vivenciando o Natal em nossas vidas!!! PAZ E BEM A TODOS!!!
                                                                                                       (Marcia Adriana Lima de Oliveira)












domingo, 20 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO: UM OLHAR PLURAL E SENSÍVEL SOBRE O OUTRO

           A educação como diz o Paulo Freire, faz-se num processo dialógico, em que nesta troca, aprender a fala do outro é fundamental para que ambos possam participar juntos do processo de comunicação (WINKIN, 1998) e, consequentemente, a Educação seja concretizada.
            No Ensino Fundamental, momento em que a criança está no processo de assimilação das regras da escrita, e, do olhar o universo mais fragmentado, nas diversas disciplinas que irá cursar, com professores plurais faz-se necessário que cada professor (a) assuma o seu papel com amor, competência, responsabilidade, respeito e carinho; não apenas pela sua profissão, mas pelas crianças que estão na sua frente.
                Esta atitude respeitosa, dará a criança auto-confiança, o fará aprender, crescer. Cada criança tem um ritmo de aprendizado, então, as crianças que já sabem, não deveriam ser o foco exclusivo do docente que conduz o processo de aprendizado, mas, principalmente, aquelas com mais dificuldade, pois as que já sabem ou aprendem facilmente, o professor irá manter e expandir este conhecimento maravilhoso, contudo, quanto ao que tem dificuldade, poderá passar tarefas diferenciadas para complementar a da turma, estimulos, incentivos, enfim, uma injeção de animo constante que fará com que cada conquista seja valorizada. Afinal, o pequeno para nós, pode ser algo, extremamente importante para a criança, portanto, parabenizá-la por todas as conquistas, conforme dito é fundamental.
                    Como diz Georgina Quaresma Lustosa no seu livro O Educador Biocêntrico: quem é este sujeito? Deve-se olhar o outro na sua totalidade, e não apenas partes. Valorizar a Vida que emana do entusiasmo do aprendizado, das conquistas, da superação das dificuldades no caminho deste aprendizado é fundamental! E, no final, a avaliação passa a ser plural, valorizando não apenas o conteúdo trabalhado em sala, mas, a postura, a socialização, a criatividade, a interação, observando que os tímidos, também estão e fazem-se presentes na sua atenção ao que é dito, ao que fazem, a partir do sugerido em sala. 
                          Logo, avaliar não é apenas quantitativa, pontual, mas processual em que a frequência, os trabalhos realizados em sala e as atividades da escola realizadas em casa, as arguições nas aulas, o que cada um aprendeu e assim o demonstrou em vários âmbitos, enfim, o crescimento, tudo passa a ser avaliado, e a dimensão escrita desta, aparece apenas como mais uma, pois o que conta é o que a criança aprendeu neste processo, é a diferença que o (a) docente fez no seu comportamento, enfim, é isto o que vale. E, que com certeza é maior do que 0,1 uns décimos necessários para que a vitória plena seja sentida pela criança, mostrando que o seu esforço valeu muito muito a pena. 
                              É isso!! Precisamos de uma educação que tenha nos seus educadores olhares mais plurais e sensíveis a cada criança, pessoa com quem estão interagindo, fazendo valer a máxima de Paulo Freire que diz:"ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, a educação se faz mediada pelo meio". E, principalmente, não se participa da Educação sem AMOR, sem SENSIBILIDADE!!

                                       PAZ E BEM!!
                                                                                              (Marcia Adriana Lima de Oliveira)

Obs.: Fotos tiradas por mim, Marcia Adriana, em que me encontro com momentos de aprendizado com meu filhão. Sendo que a idéia do pintar o chão com giz  colorido, foi da minha irmã que também é uma grande Educadora Biocêntrica!!

domingo, 6 de novembro de 2011

Intimidade ou não intimidade, o que desejo ter?

Já no século XVIII, conforme Louis Dumont, as pessoas começaram a ficar cada vez mais ensimesmadas, retraídas, preferindo a não intimidade, posto que o que desejavam era tudo cada vez mais para si. Um egoísmo exacerbado denominado individualismo. 
        Individualismo que separa as pessoas, colocando-as para se relacionarem não como pessoas, mas como pessoas e objetos. Coisificar o outro, ver o outro como mero objeto de prazer momentâneo ou duradouro, mas apenas prazer... Fez com que estas mesmas pessoas jamais se deleitassem com o prazer da intimidade.
    Séculos XIX e XX vem com duas abordagens o do não a intimidade, e o da transformação desta no olhar de Anthony Giddens, que chama cada uma das pessoas a repensarem suas relações, e, ao mesmo tempo compreender as mudanças na intimidade, no amor, na sexualidade, no erotismo.
      Giddens diz, no seu livro 'A transformação da intimidade. Sexualidade, amor e erotismo nas sociedades contemporâneas', que existe uma categoria chamada de 'relacionamento puro'; sendo que pureza aqui não significa ingenuidade, inocência, mas sim o retirarmos as amarras dos estereótipos acerca do ser amado como deus, ou deusa, como super herói ou mulher maravilha, e começarem a ver um ao outro como são, ou estão se tornando, seres humanos plenos com qualidades e defeitos. 
         O olhar o outro como ser humano pleno, dar mais segurança, conforto a ambos por saberem que não precisam mascarar o que não são e, por isso, irão se permitir amar e ser amado, de maneira tranquila, sem medos, receios de mostrar-se e ser rejeitado ou rejeitada.
         É interessante falar sobre a temática em questão, porque com o século XX e XXI, veio toda a enfase na contemporaneidade, na rapidez, na não-intimidade, na fluidez das emoções, na volatilidade dos sentimentos, enfim, na liquidez das relações. Bauman, foi um dos autores que mergulhando neste universo líquido escreveu a Modernidade líquida, o Medo liquido, o Amor liquido, o tempo liquido, enfim... Um retrato das relações que enfatizam a não intimidade.
           Contudo, o pensar no relacionamento puro, em que o casal caminhará lado a lado, partilhando  suas vidas, sonhos, tristezas e alegrias trás esperanças de que em um mundo tão grande como o nosso, ainda existem pessoas que desejam se envolver, sair juntas, conversar, trocar idéias, partilhar conquistas e se terem apoio mútuo  nas dificuldades, enfim, pessoas que queiram a intimidade, queiram permitir-se viver plenamente um relacionamento, colhendo frutos magníficos que será e que é o poder chamar cada um ao outro de companheiro, companheira, amigo, amiga, amor, tudo!! Tudo!!! Como já disse Fernando Pessoa: "Para ser inteiro, sê todo. Nada teu exagera ou exclui. Põe tudo o que tem no mínimo que fazes, assim em cada lago, a lua brilha, porque alta vive!!"
       Permitir-se e fazer com que dê certo o relacionamento, desejarem juntos que dê certo é MÁGICO!! Colocar-se de corpo e alma, plenamente!!! É um desafio grande, mas quem se arrisca, pode lograr êxito e conseguir um parceiro ou parceira que romperam, certamente, as barreiras do tempo e do espaço, ressaltando que a intimidade é um encontro de almas, expresso e manifesto no corpo, templo magnífico do seu Eu mais profundo, do que És!!
            E, então, resta apenas saber o que cada um quer de si: "Intimidade ou não intimidade, o que desejo ter? E você o que deseja, quer?" (Marcia Adriana L. de Oliveira)
                       

sábado, 10 de setembro de 2011

Coisas de menino e coisas de menina....


           Ao chegar em um aniversário de uma princesinha, presenciei uma cena muito interessante que é uma das linhas de pesquisa no campo da antropologia e da sociologia, a questão de gênero. O fato foi que a princesinha foi presentada com a casa de brinquedos da Polly, e ela logo quis abrir, montar, vê-la fora da caixa. Então, a que a presenteou, pôs- se abrir e montar, e, meu filho, prontamente, estava ao lado, e pegou as peças para ajudar na montagem, como se fosse um quebra-cabeça. Neste interim, o filho da que a presenteou passou e perguntei:" Você não vai ajudar a montar também?" E, ele, prontamente, me respondeu:"Isto não é coisa para homem". Então, falei:"e você não terá no futuro uma casa? E não participará nas atividades de sua casa?". E, ele continuando o diálogo disse:"Não, vou ser jogador de futebol e não terei tempo para isto".
             Com estas questões, outras vieram e, na medida, do possível, fomos tentando sucitar reflexões e olhares para o que aquele menino não havia pensado ainda... E, mais que nunca percebi uma continuidade, na postura do garoto, que reproduz valores que lhe foi passado pelos seus pais, reafirmando a supramacia de gênero, na qual a rua fica para o homem e a casa para a mulher, e a mudança, na postura de meu filho, que não se incomoda em montar uma casa de boneca para sua amiga, ou até mesmo brincar, posto que em nossa casa, trabalhamos a cooperação, os cuidados conjuntos com a casa, arrumar, manter arrumado, organizar as coisas e, ele cooperar para esta organização, pois, um dia quando ele precisar, saberá fazer e contribuirá com sua companheira. E, com certeza estes cuidados jamais farão dele menos homem, mas sim farão dele um homem que também cuida, ajuda, coopera sem problema.
                Esta situação me remeteu as alterações nos brinquedos em decorrência das modificações nas relações de gênero, afinal, o brincar, o lúdico, a brincadeira é uma ponte no processo de socialização do grupo, que faz com que a criança aproxime-se do universo adulto. Por exemplo, na minha infância, as bonecas eram princesas, mães... Hoje, 2011, as bonecas são dentistas, advogadas, professoras, médicas, enfim, tem uma profissão, uma graduação. Elas dirigem, tem carros, pista de corrida, são pilotas, enfim, refletem as nossas conquistas como mulheres que passaram por várias situações como o desquite na década de 60, o divórcio  em 1977/78, a alteração no conceito de família na Constituição de 88, que dentre outros feitos garantiu a nossa cidadania, dizendo que "homens e mulheres tem os mesmos direitos tanto dentro quanto fora do âmbito doméstico", as mudanças quanto aos casamentos que antes da década de 80 eram mais cedos 17 a 20 anos no máximo, e hoje vão sendo realizados a partir dos 30 anos até o infinito da idade.
                   Quanto aos homens também observamos as mudanças, pois, tem-se que com o divórcio, começam a surgir as famílias monoparentais, em que alguns ficam com os filhos e aprenderam a cuidar, a olhar para o âmbito doméstico, ir as compras, trocar fraldas, fazerem cursos de culinária, participar das reuniões de pais, acompanhar os filhos na escola, enfim, engajarem-se no universo que era considerado apenas feminino, o que ampliou o olhar e a dimensão de homem.
                     Neste sentido, tanto homens quanto mulheres são diferentes quanto aos hormônios, a genitália (SALVE POR ISSO!!!), mas iguais em direitos e deveres, ninguém caminhando na frente ou atrás, exceto se a cultura do grupo assim o impuser, mas caminhando lado a lado.
                       Assim, percebe-se que as questões de gênero, continuam a nortear as nossas relações sociais, interpessoais, sejam dentro ou fora do âmbito familiar, sendo reproduzidas valorizando a hieraquia de gêneros citada por Richard Parker em seu livro, Corpos, prazeres e paixões, ou valorizando o relacionamento puro (companheirismo) presente no pensamento de Anthony Giddens no seu livro A transformação da Intimidade; sexualidade, amor e erotismo nas sociedades contemporâneas. Mostrando aqui, o que pesquisei na graduação e no mestrado as continuidades e mudanças nas relações familiais, a partir dos olhares que temos e repassamos aos nossos filhos acerca do que consideramos coisa de menino e coisa de menina.
                                                                  (Marcia Adriana Lima de Oliveira)